Por thiago.antunes

Rio - O esperado momento em que mãe e filho ficariam no mesmo ambiente na primeira audiência de instrução e julgamento do jornalista Daniel de Oliveira Coutinho, na tarde desta segunda-feira, acabou não acontecendo. Acusado de matar a facadas o próprio pai, o cineasta Eduardo Coutinho, o réu foi obrigado a se retirar do 1º Tribunal do Júri a pedido de Maria das Dores Oliveira Coutinho, que também foi atacada pelo filho no dia 2 de fevereiro, no apartamento onde a família morava, na Lagoa.

Jornalista Daniel Coutinho matou o pai e tentou matar a mãe%2C na LagoaAndré Mourão / Agência O Dia

Cinco pessoas foram ouvidas pelo juiz Fábio Uchôa. Um casal de vizinhos, um PM e uma tia de Daniel também prestaram depoimento. Uma nova audiência foi marcada para 2 de junho, quando devem ser ouvidos o porteiro José Roberto do Nascimento e o delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios (DH), responsável pelas investigações.

Pedro Coutinho, irmão mais velho de Daniel, deve prestar depoimento amanhã através de carta precatória, no Fórum de Petrópolis. Com base nos depoimentos, a defesa do acusado pediu exame de sanidade mental dele. 

Com os ombros para frente, corpo encolhido e voz trêmula, Maria das Dores justificou o pedido de falar sem a presença do acusado: “É muito difícil para mim... Falar de um filho”. Durante quase uma hora, lembrou do dia em que foi esfaqueada no seio esquerdo quando estava na cama com o marido. Em seguida, disse ter fugido pelo apartamento, aos gritos. “Ele (Daniel) falou que o melhor para nós três era o que ele estava fazendo. Procurei uma porta que tivesse chave. Me tranquei no banheiro. Ele ficou na sala, conversando com o Eduardo. Não ouvi nada. Só meus próprios gritos”, lembrou.

Segundo Maria das Dores, Daniel tinha um problema de agressividade, isolamento e angústia — dormia no quarto dos fundos para se isolar ainda mais. Ela confirmou que o filho tinha uma relação difícil com o pai, consumia bebidas alcoólicas e usava drogas. Em três ocasiões, tentou fazer tratamento psiquiátrico. Nenhuma delas surtiu efeito. “Não podíamos conversar em casa, porque isso o deixava irritado. Não podíamos fazer barulho”. Daniel responde a processo por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

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