MMA entra em campo no time da segurança

Lutador que tentou vaga no UFC é instrutor de batalhão que irá atuar na repressão a manifestações

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Job Kleber Melo, um dos lutadores do TUF Brasil 3, reality show de MMA que vai ao ar aos domingos pela TV Globo, precisou adiar o sonho de pisar no octógono do UFC, a principal competição da modalidade no mundo. Eliminado do programa ao ser finalizado em uma chave de braço dada por Rick Monstro numa luta pela categoria dos pesos-pesados, ele perdeu a chance de lutar no evento de 31 de maio, no Ibirapuera, em São Paulo. Mas a atuação dele será fundamental em outro evento esportivo, que irá parar o país no próximo mês.

Aos 34 anos, o cabo Job divide o seu tempo entre duas paixões: a luta e o trabalho como policial militar. Quando está fardado, ele também usa os seus conhecimentos em artes marciais para preparar a tropa do Batalhão de Policiamento de Grandes Eventos (BPGE), unidade com 600 homens que irá atuar no Rio durante a Copa do Mundo.

Peso-pesado%2C cabo Job integra grupo de instrutores que usam conhecimentos em artes marciais para passar técnicas de imobilizaçãoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Faixa preta de muay thai e kickboxing e faixa azul de jiu-jítsu, Job foi um dos instrutores do Método de Defesa Policial Militar, treinamento dado entre 30 de março e 16 de maio que também contou com especialistas em outras artes marciais. Os policiais passam a dominar técnicas como uso do bastão e imobilizações. Formados há dez dias, 39 alunos do efetivo passam a compor um grupo de elite do batalhão. “O curso é bem pesado. Os caras trabalharam repetições de movimentos até a perfeição. Agora, temos uma tropa especializada”, garante Job.

Na manifestação do dia 7 de setembro do ano passado, uma das mais violentas no Rio, o cabo precisou colocar em prática as técnicas que agora são repassadas aos outros policiais do efetivo do BPGE. “Naquele dia, sete ou oito policiais tentavam imobilizar um manifestante. Eu entrei lá e o retirei, devido ao meu conhecimento”.

O objetivo do batalhão, segundo ele, é imobilizar com eficiência e sem causar lesões. Entretanto, quando pisa no octógono para lutar, nem sempre isso é possível. Com 1,94 m e 113 kg, ele faz uso da força física para vencer seus adversários.

Job só começou a praticar artes marciais em 2006, como forma de aprimorar o trabalho como PM. “Na época, eu trabalhava no batalhão de Copacabana e ouvia histórias de guarnições que não faziam uma abordagem para evitar um confronto, porque tinha muito lutador lá. Para não passar por isso, busquei as artes marciais”.

Oito anos depois, a iniciativa do cabo Job passa a valer como um mantra para todos os policiais do BPGE, que têm a difícil missão de coibir possíveis atos violentos em manifestações na Copa.

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