Por tiago.frederico

Rio - A delegada titular da Delegacia de Paradeiros de Desaparecidos, Elen Souto, estima que a especializada, que foi inaugurada nesta segunda-feira, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, resolva mais de 65% dos casos e que serão agora responsabilidade da unidade. Esse é o número de quando ela comandava a sessão de paradeiros da Divisão de Homicídios da capital.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram registrados 41.711 desaparecimentos no estado entre 2007 e 2014. A unidade vai contar com 35 policiais e terá um banco de material genético dos familiares de desaparecidos para a realização de exames de DNA em ossadas recolhidas em cemitérios clandestinos.

“Essa delegacia é uma porta de esperança para as mães poderem encontrar seus filhos. Os casos antigos serão investigados, assim como o da minha filha”, disse ainda esperançosa Jovita Belfort, de 60 anos, mãe de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort, que fez campanha na internet com a ONG Rio de Paz e recolheu 16 mil assinaturas para pedir a criação da delegacia. A jovem desapareceu no Centro do Rio, no dia 9 de janeiro de 2004.

Mães de pessoas desaparecidas%2C entre elas a de Priscila%2C irmã do lutador Vitor BelfordWanderson Cruz / Divulgação

Comemoração de um lado, tristeza de outro. Mães da Baixada lamentaram que ainda não há um projeto para a construção de uma unidade na região. “Estamos esquecidos. É um passo importante para o Rio, mas e as outras regiões?”, indagou Luciene Torres, mãe de Luciane, desaparecida em Nova Iguaçu há cinco anos.

De acordo com a Polícia Civil, Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí continuam sendo investigados pelo Setor de Descoberta de Paradeiro das Delegacias de Homicídios dos respectivos municípios. Casos registrados no interior fluminense serão conduzidos pelas delegacias locais e monitorados pela Delegacia de Descobertas de Paradeiro.

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, que marcou presença na inauguração, afirmou que vários casos continuam registrados, apesar de as vítimas reaparecerem. “Se você tem algum desaparecido na sua residência que tenha voltado, dê baixa no registro. E aí vamos tratar dos casos de desaparecidos de fato, dessas famílias que passam verdadeiras peregrinações”, lembrou.



Você pode gostar