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Trem que bateu já apresentava problemas, afirmam passageiros

Pelo menos 176 pessoas foram atendidas em três hospitais, sendo 158 apenas no Geral de Nova Iguaçu, na Posse

Por marcello.victor

O passageiro Alessandro Firmino Conceição deixa o Hospital de Nova Iguaçu com a perna direita fraturada após a colisão entre os trens na estação Presidente JuscelinoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Rio - Madrugada de terça-feira de intensa movimentação no Hospital Geral de Nova Iguaçu, no bairro da Posse, na Baixada Fluminense, onde foram atendidas 158 vítimas do acidente entre dois trens da SuperVia na estação Presidente Juscelino, em Mesquita, na noite de segunda-feira. O total de feridos atendidos é de 229 pessoas. Nenhum em estado grave. Segundo a concessionária, a circulação do ramal Japeri foi normalizada às 7h, após equipes técnicas concluírem as vistorias e liberarem a via na estação.

Passageiros que estavam na composição que seguia para Japeri e colidiu na traseira de outra disseram que o trem apresentava problemas desde a saída da garagem da Central do Brasil.

"As luzes passaram a viagem toda piscando. Dava para perceber que havia falha em algo. Minutos antes de bater, as luzes apagaram por completo", revelou, na saída do Hospital da Posse, a vendedora Vivian Costa de Sá Mangueira, de 28 anos, que seguia para Japeri e estava no segundo vagão do trem. Ela sofreu uma luxação no pulso esquerdo e calculava que às 3h cerca de 60 pessoas ainda aguardavam para ser atendidas no setor de Raio-X.

O pedreiro Adilson Teixeira Braga, 46, usuário diário de trem, estava no quarto vagão e seguia para Austin, em Nova Iguaçu. Ele disse que a composição trafegou durante toda a viagem em velocidade lenta, o que segundo ele, não é normal.

"Parecia que o trem já tinha saído da Central com defeito. As lâmpadas acendiam e apagavam. Pouco antes de chegar à estação de Madureira, a composição voltou para a estação de Cascadura. Ficou parada por dois minutos e seguiu viagem. Quando houve a batida já estava toda apagada", conformou o pedreiro. Ele está com suspeita de rompimento dos ligamentos do joelho direito e sofreu luxações na testa e na mão.

O também pedreiro Róbson de Souza Silva, 38, que também estava no trem que colidiu, disse que mesmo ferido ajudou outros passageiros a saírem do vagão. Com uma luxação no tornozelo, ele deixou o hospital e seguiu para a 58ª DP (Posse), onde registraria ocorrência de lesão corporal por acidente. Ele relembrou os momento de terror após o acidente.

"Foi um pânico geral, uma coisa de louco. Gritaria, gemidos, revolta. O atendimento no local foi demorado. Só comigo em uma ambulância vieram outras oito vítimas Aqui na Posse, porém, o atendimento foi muito bom", avaliou.

Trens do ramal Japeri circulam normalmente nesta terça-feira

Quem estava no trem atingido também sofreu ferimentos. O bombeiro hidráulico Geraldo Barreto dos Santos, 60, sofreu uma luxação no joelho após o ventilador da composição e passageiros caírem sobre ele. A diarista Cristina Santos da Rocha, 38, que fraturou o tornozelo, atacou a concessionária responsável pela circulação de trens.

"O atendimento aqui na Posse foi bom. O revoltante é o descaso da SuperVia. Tinham poucas ambulâncias e ninguém da empresa nos deu suporte", atacou Cristina.

Estação Presidente JuscelinoFoto de leitor via WhatsApp do Dia (98762-8248)

Outros hospitais e unidades de saúde também receberam as vítimas do acidente. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, 71 pacientes deram entrada em três hospitais e duas unidades de Pronto Atendimento da rede estadual de saúde, após a colsião envolvendo dois trens da Supervia. Ainda de acordo com a secretaria, todos os pacientes foram avaliados, medicados e já receberam alta.

No Hospital Estadual Getúlio Vargas, foram atendidas quatro mulheres e quatro homens; no Hospital Estadual Albert Schweitzer, foram atendidas oito mulheres e nove homens; no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, foram atendidas três mulheres e dois homens; na Unidade de Pronto Atendimento Mesquita, foram atendidas 15 mulheres e 15 homens; e na Unidade de Pronto Atendimento Nova Iguaçu II, foram atendidas 10 mulheres e um homem.

Em nota, a Agetransp (agência reguladora dos transportes públicos estaduais) informou que abriu um boletim de ocorrência para apurar as causas da colisão. Técnicos estiveram no local apurando as circunstâncias do acidente. Eles também avaliam a qualidade do atendimento prestado às vítimas e aos usuários do sistema pela SuperVia. Os procedimentos adotados pela concessionária para o restabelecimento da operação no ramal também serão avaliados.

Também em nota no início da manhã desta terça-feira, a SuperVia informou que o ramal Japeri, sentido Central do Brasil, iniciou a operação normalmente às 3h57, após equipes técnicas e de manutenção realizarem a retirada dos trens envolvidos da estação Presidente Juscelino. Os trens sentido Japeri precisavam aguardar ordem de circulação no trecho entre as estações Edson Passos e Presidente Juscelino. A liberação da outra linha ocorreu às 7h, ainda segundo a empresa.

O Hospital da Posse divulgou nota na manhã desta terça-feira, com a relação das vítimas que ainda estavam internadas na unidade. Confira:

"O Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI/Posse) informa que 158 pacientes deram entrada na unidade na noite desta segunda-feira (5/01), vítimas de colisão entre dois trens no município de Mesquita, sete deles permanecem internados e estão sendo submetidos a novos exames. Todos os pacientes internados estão estáveis".

Segue abaixo a listagem dos pacientes que permanecem internados no Hospital da Posse:

1- Alcy Bittencourt
2- Alencar Pereira dos Santos
3- Carlos Francisco de Oliveira
4- Cláudia Silva
5- Marlene Santana da Silva
6- Reinaldo Inácio Nunes
7- Roberto Xavier

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