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'Dez, nota dez' ganha título de Patrimônio Imaterial da Cidade

Sotaque e gírias cariocas estão no pacote

Por thiago.antunes

Rio - “Dez, nota dez!”. O grito mais sonhado pelos sambistas durante as apurações de notas do Carnaval carioca, entoado pelo locutor Jorge Perlingeiro a cada reconhecimento máximo, se tornou Patrimônio de Natureza Imaterial da Cidade. É a primeira vez em que uma expressão recebe a condecoração por retratar o ‘carioquês’ em sua essência. A ela se juntarão outras gírias e trejeitos que já se fundiram à cultura local com seus ‘erres’ e ‘esses’ arrastados, seja num doce balanço a caminho do mar ou pelo caminhar malandro nas esquinas do subúrbio.

O decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado no Diário Oficial desta terça-feira, faz parte das comemorações pelo aniversário de 450 anos do Rio e considera a expressão criada originalmente por Carlos Imperial, em 1984 (ano de inauguração do sambódromo), um ‘Monumento Linguístico’. O objetivo do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade — que já catalogou mais de 50 paisagens e endereços históricos — é fomentar a pesquisa sobre os costumes locais.

Lisongeado com a condecoração, Jorge Perlingeiro acredita que a expressão retrata a maior festa popular do planeta como nenhuma outra. “Quem torce para uma escola de samba sonha em ouvir essa frase na Quarta-Feira de Cinzas antes de comemorar o título. Nada mais justo”, resume ele, que adotou o bordão para que não o acusassem de torcer para nenhuma agremiação específica. “Me mantive imparcial até 2013, quando a Vila Isabel foi campeã. Na hora de última nota, não me contive”, relembra Jorge Perlingeiro às gargalhadas.

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