Estado critica sugestão da ANA de reduzir mais a vazão do Paraíba do Sul

Secretário estadual do Ambiente alerta que crise hídrica pode se agravar ainda mais com medida

Por O Dia

Rio - A situação hídrica do Rio de Janeiro pode se agravar ainda mais. O alerta é do secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, ao criticar a recomendação da Agência Nacional de Águas (ANA) para reduzir a vazão do Rio Paraíba do Sul que chega ao Rio de Janeiro, de 140 para 110 metros cúbicos por segundo, na barragem da usina hidrelétrica de Santa Cecília, em Barra do Piraí.

De acordo com Corrêa, o volume é inviável para atender todo o estado. A decisão pode ser tomada pela ANA no próximo dia 5, em Brasília, quando haverá uma reunião entre técnicos e representantes dos estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo.

O atual limite mínimo de 140 m³/s já tinha sido reduzido pela ANA por meio de resolução temporária publicada em dezembro do ano passado e que vence amanhã. Quando foi desenhado, o projeto de transposição das águas do Paraíba do Sul para o Sistema Guandu — que é a principal fonte de água do estado e atende cerca de nove milhões de pessoas — tinha como média de vazão 250 metros cúbicos por segundo e, como mínima, 190 m³/s.

Sugestão da ANA é diminuir em cerca de 20% o volume de água que é retirado do Paraíba do Sul para o sistema Guandu%2C que abastece o RioGenilson Pessanha/ Folha da Manhã

Porém, devido à crise hídrica, e como o Paraíba do Sul é federal, a ANA tem publicado desde maio de 2014 resoluções temporárias que reduzem o limite mínimo da barragem de Santa Cecília para preservar os estoques de água disponíveis nos reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul, composto por quatro represas: Paraibuna, Santa Branca — que entraram em seu volume morto —, Jaguari e Funil.

Apesar de a decisão depender unicamente da ANA, Corrêa acredita que a agência ouvirá os argumentos do Rio. “Esse volume proposto é extremamente limitador. A ANA tem tido um comportamento democrático. A decisão final é dela, mas ela ouve os estados. Esse número que a agência propôs torna praticamente inviável uma boa gestão dos recursos hídricos do Rio de Janeiro”, disse.

Questionado sobre que medidas o Rio teria que adotar se a ANA não aceitasse o pedido do Rio, nem o secretário, nem o presidente da Cedae, Jorge Briard, quiseram responder. Ambos disseram que “não querem trabalhar com essa hipótese”. “É uma discussão no nível técnico. O governo é sensível. Não acredito que a ANA tome alguma medida que não seja em acordo com os três estados”, afirmou.

Corrêa também voltou a admitir a adoção de racionamento de água neste primeiro semestre, mas que “está trabalhando para que isso não aconteça.” 

Reúso de águas por indústria

Como medida para enfrentar a crise hídrica, sem afetar o uso humano, o governo do Rio vai obrigar que empresas de grande porte que usam água do Sistema do Rio Guandu passem a utilizar água de reúso em atividades como lavagens. Quem não se adequar ao sistema, poderá ter a licença cassada pelo governo.

Para as empresas instaladas no Canal de São Francisco, a ideia é construir uma adutora de 14 km para limpar filtros da estação de tratamento Alegria da Cedae.

Nesta sexta-feira haverá uma reunião para saber quem arcará com os custos da obra, que poderá ser feita pelas próprias empresas. Segundo o secretário André Corrêa, elas também poderão apresentar outras alternativas.

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