Viatura de UPP atropela pedestre após perseguição no Complexo do Lins

Vítima disse que se escondeu atrás de árvore quando viu o veículo perder o controle. PM nega que carro seguia suspeito

Por nicolas.satriano

Willians sofreu fratura no crânio e chegou ao hospital desacordadoUanderson Fernandes / Agência O Dia

Rio - Um carro da UPP do Complexo do Lins atropelou um pedestre no fim da noite de segunda-feira, no mesmo bairro. Segundo a própria vítima — que sofreu fratura no crânio e várias escoriações —, os dois militares perseguiam uma moto, quando o motorista da viatura perdeu o controle, derrubou uma árvore e atingiu o ajudante de obras Willians dos Santos, 40 anos.

O caso foi registrado na 26ª DP (Todos os Santos) como dano ao patrimônio público, por causa da derrubada da árvore. No entanto, os PMs não mencionaram vítima durante o registro. Terça-feira, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou que “o motorista da viatura derrapou e perdeu o controle do veículo, batendo na árvore.” A nota ainda negou que o acidente tenha ocorrido por conta de uma perseguição e omitiu a vítima.

Nesta quarta-feira, porém, o CPP deu outra versão e confirmou o atropelamento, mas novamente negou a perseguição. O órgão informou também que pediu aos dois PMs registrarem a ocorrência na 26ª DP e que abriu investigação interna para apurar as causas do acidente.

A vítima voltava para casa, às 23h20, pela Rua Baronesa de Uruguaiana, e disse que viu uma moto passando em alta velocidade, assim como o carro da PM em seguida. Ao ver a viatura desgovernada, Willians tentou se proteger atrás de uma árvore, mas foi atropelado.

“Não sabia para que lado correr. Fui para trás da árvore, mas foi justamente onde o carro bateu e me atingiu também”, lembrou a vítima. Ele foi levado desacordado para o Hospital Salgado Filho. Willians teve alta ontem. Os PMs não se feriram.

A namorada de Willians, Simone de Oliveira, contou que, por volta de 1h de terça-feira, dois policiais se apresentaram como amigos dos PMs envolvidos no acidente e abordaram a mãe da vítima. Eles pediram o nome e o endereço do rapaz. “Disse para não dar essas informações, mas a mãe dele acabou fornecendo”, contou. O CPP não informou porquê policiais abordaram a mãe da vítima.

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