Em Meriti, creche pede que pais doem papel higiênico

Profissionais de ensino confirmam que alimentação é precária e anunciam greve

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Além da precariedade na merenda fornecida às crianças das creches municipais de São João de Meriti — enquanto o prefeito da cidade é processado por superfaturamento em compras —, as unidades sofrem com a falta de outros itens básicos. Na Creche Lindaura Amorim, um aviso na parede escancarava a escassez: a unidade pedia aos pais a contribuição de rolos de papel higiênico.

Conforme O DIA denunciou na edição de quarta-feira, creches municipais de São João de Meriti ofereciam na merenda pratos como angu com ovo cozido. Nesta quarta-feira, a convite da prefeitura, a reportagem percorreu algumas das unidades e constatou que, apesar de reforço no fornecimento (confirmado por professores), a situação ainda precisa melhorar.

Na Creche Lindaura Amorim%2C em S.J. de Meriti%2C cartaz pede ajuda a pais. Prefeitura enfrenta processo por superfaturamento em comprasGabriel Sabóia / Agência O Dia

Na primeira creche indicada, a Lindaura Amorim, o cardápio exposto na parede era farto. Macarrão, frango e salada eram anunciados. Porém, ao meio-dia, apenas macarrão e arroz estavam prontos. Além disso, na parede da unidade, um pequeno cartaz pedia que os pais das crianças colaborassem, trazendo dois rolos de papel higiênico.

Nas unidades citadas na reportagem publicada nesta quarta, a Manoel Sendas e a Lígia da Silva França, o cardápio servido era, realmente, generoso. Frango, arroz, feijão, salada e frutas de sobremesa. Por indicação do Sindicato Estadual dos Professores, foi feita uma visita à Creche Santa Clara. Lá, a falta de oito professores ocasionou a liberação de crianças mais cedo. Às 13h, as crianças se preparam para sair, apesar de a unidade funcionar em turno integral. Nos banheiros, não havia sabonete nem papel higiênico.

Nesta quarta-feira, um ato de professores foi realizado em frente à prefeitura. Os profissionais decidiram, após assembleia, parar no dia 18. Eles confirmaram os cardápios reduzidos a itens como fubá, ovo e macarrão.

Segundo a nutricionista Carla Cotta, um menu escolar não pode se restringir a apenas dois itens, como angu e ovo. “Pelo menos um terço do prato deve ser composto por vegetais. Carboidratos integrais e proteínas também devem estar presentes. Pelo menos quatro refeições e muitas frutas são indicadas para jovens em formação.”

Prefeito diz que é inocente

O prefeito Sandro Matos se defendeu das acusações de superfaturamento do Tribunal de Contas do Estado e afirmou que os custos excedentes se deram por conta do transporte e deslocamento dos alimentos até as escolas. Ele pretende recorrer. “Quase todo prefeito é investigado após denúncias da oposição. É normal e vou provar minha inocência”, garantiu.

No dia 24 de fevereiro, o TCE determinou que ele devolva R$ 78.291,03 aos cofres públicos por supostas compras superfaturadas.


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