Estado vai pagar passagens de ônibus de desempregados do Comperj

Ajuda será para trabalhadores voltarem a cidades de origem. Alguns deles viraram moradores de rua

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O governo do estado vai dar passagens para os trabalhadores que continuam em Itaboraí, após serem demitidos das empresas que operam dentro do Comperj. Alguns deles viraram moradores de rua por não possuírem condições financeiras de voltar para suas cidades de origem. A ajuda oficial foi confirmada pela secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cristina Cosentino, que aguarda um levantamento da prefeitura para definir o valor a ser repassado.

Cerca de 8 mil trabalhadores foram desligados das obras nos últimos seis meses. De acordo com a prefeitura, desempregados do Comperj já representam 70% da população de rua de Itaboraí — estimada em 200 pessoas até o final de fevereiro. O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), mantido pelo município, a cada mês, oferece 20 passagens a quem pede ajuda para voltar para casa. Número considerado muito baixo pelo vice-prefeito, Audir Santana. “Foram calculadas 200 pessoas, mas queremos saber a realidade atual porque mais famílias estão nas ruas já que o depósito de três meses aos locatários, que funciona como um seguro, venceu na primeira semana do mês”, explicou.

Segundo ele, quando o número estiver consolidado, o governo irá calcular o valor a ser repassado para a emissão das passagens. “Em um futuro próximo, também receberemos recursos para construir uma Casa de Passagem para a população de rua com dormitórios para pernoite e refeições”, antecipou.

O grande volume de pessoas que estão em Itaboraí também traz problemas para a área de saúde. O município só possui um hospital e as emergências estão lotadas. “Muitos desempregados estão bebendo ou usando crack por causa da frustração. Não temos como atender todo mundo e aumentar despesas”, disse Santana. A arrecadação está em queda no município. Somente o ISS caiu de R$ 23 milhões para R$ 13 milhões.


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