'Vi meu marido morto. Quero justiça', diz mulher de comerciante da Mangueira

Familiares enterraram nesta segunda-feira Alexandre Cavalcante, morto com tiro de fuzil na cabeça

Por paloma.savedra

Rio - Sob forte comoção, familiares do comerciante Alexandre Cavalcante de Oliveira, de 36 anos, enterraram a vítima nesta segunda-feira, no Cemitério do Caju. Alexandre foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça na noite deste sábado quando saía de casa, no Morro do Telégrafos, durante uma suposta troca de tiros entre policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Mangueira e traficantes. O comércio na Mangueira não abriu as portas nesta manhã. 

Tiros são ouvidos no Morro da Mangueira e moradores se assustam

GALERIA: Enterro de comerciante da Mangueira é marcado por forte comoção

Mãe, mulher e filha mais velha de Alexandre choram durante o enterro do comerciante%2C morto com um tiro de fuzil na cabeça%2C na MangueiraBruno de Lima / Agência O Dia

Indignados, parentes pediram justiça durante o velório e acusaram os PMs da UPP pelo crime. Os dois irmãos do comerciante vestiram uma camisa com os dizeres 'Saudades eternas. A UPP matrou o meu irmão'. Com a mesma blusa, a esposa de Alexandre, Taiane Campos, 26, lembrou do momento em que viu o marido caído morto no chão.

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Alexandre seguia para o trabalho quando foi atingido pelos disparosEstefan Radovicz / Agência O Dia

"Minha filha gritava muito. Ouvi tiros, acendi a luz e encontrei meu marido caído no chão. Agora quero justiça", declarou Taiane, que ainda está grávida de 8 meses de uma menina, que se chamará Alice. Segundo ela, ainda houve demora no atendimento do marido: "Os PMs demoraram a atender meu marido. Alguns PMs da UPP também têm má conduta. Perto da favela tem um bar e eles vivem perturbando os moradores e jogam spray de pimenta nas pessoas que ficam no bar", disse.

Muito abalada, a mãe da vítima, Maria Aparecida, 62, segurou o caixão e gritou: "Quem tirou sua vida não tem mãe, nem filho". Irmã do comerciante, Alexandra Cavalcante lamentou ainda a situação da sobrinha, que viu o pai morto dentro de casa: "É uma criança de seis anos. Ela viu tudo e passou a noite toda chamando pelo pai".

A família acusa os PMs de terem impedido moradores de chegarem ao local para socorrer o homem. A filha mais velha do casal completou 13 anos neste domingo. Alexandre era sócio de uma lanhouse próximo a localidade conhecida como Buraco Quente, na parte baixa da Mangueira. A vítima tinha se despedido dos filhos de 3 e 6 anos e saía de casa para render o irmão no negócio quando foi baleado na cabeça, por volta das 21h. O contêiner da base da UPP no Telégrafos fica próximo à residência de Alexandre.

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