Mortes de políticos serão bandeira em encontro de gestores de todo o país

Levantamento feito pelo DIA será lembrado na 23ª Marcha à Brasília em Defesa dos Municípios, na próxima semana

Por nicolas.satriano

Rio - A execução de políticos fluminenses por pistoleiros - 42 nas duas últimas décadas, 20 deles em dez anos, conforme O DIA denunciou domingo, vai ser uma das principais bandeiras da 23ª Marcha à Brasília em Defesa dos Municípios, que será realizada semana que vem, com milhares de gestores de todo o país.

Paulo Ziulkoski presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que organiza a marcha, se disse “estarrecido” com a violência contra prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e candidatos a cargos públicos no Rio.

“Trata-se de um atentado contra a democracia, que tem que ser mais amplamente discutido. A única estatística que tínhamos dava conta de 42 assassinatos no Brasil inteiro, entre 2009 e 2013. Esse levantamento feito pelo DIA vai reforçar uma antiga reivindicação nossa: a de que todos os políticos eleitos devem ter o mesmo tratamento e direito em relação a esquemas de segurança que governadores e presidentes da República têm”, adiantou Ziulkoski.

O presidente da CNM informou ainda que vai reivindicar mais agilidade nas investigações e mais punições para os autores de homicídios contra políticos. “Como os crimes ocorreram em 11 municípios, a maioria deles considerados pequenos, não deveria haver tanta dificuldade para se chegar a autores ”, opinou Paulo.

Mais homicídios

O advogado João Tancredo, do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH), disse que a entidade vai denunciar a falta de solução para a maioria dos homicídios envolvendo políticos a organismos internacionais que tratam do problema. “Alguns episódios já caíram ou estão prestes a cair em prescrição por conta da morosidade nas investigações e da Justiça. Isso é inadmissível.”

Em nota, a Anistia Internacional lamentou as mortes e ressaltou que hoje o Brasil é o país com maior número de homicídios no mundo, mas que apenas 5% a 8% dos casos são solucionados. “A impunidade alimenta A violência. Os governos estaduais e federal devem estabelecer metas de redução dessas taxas”, recomendou.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia