Parte do comércio da Camarista Méier está fechado por ordem do tráfico

No entanto, clima na comunidade do Lins de Vasconcelos é de tranquilidade e UPP diz que não houve confronto na região

Por paulo.gomes

Rio - Parte do comércio do Morro Camarista Méier, no Engenho Novo, fechou as portas ontem após a morte de um homem acusado de trocar tiros com policiais militares no Recreio dos Bandeirantes, na manhã de sábado. O suspeito, identificado pela Polícia Civil como Deivison Freitas de Costa, de 26 anos, era da comunidade. Em retaliação, traficantes ordenaram que lojas fossem fechadas durante o dia.

O clima ficou tenso na comunidade e muitos evitaram comentar o assunto. “Mandaram fechar. Quem não vai obedecer?”, indagou uma moradora. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o comando da UPP local apura o motivo do fechamento.

No dia 25, um policial foi baleado na região. Oito dias antes, três pessoas ficaram feridas após um grupo tentar atear fogo a um contêiner da UPP. Dois deles foram vítimas de bala perdida e o terceiro, foi atingido durante confronto com PMs.

Policiais da UPP Camarista Méier fazem patrulhamento na região que está com parte do comércio fechado nesta segunda-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

Segundo a polícia, além do suspeito oriundo do Camarista e que morreu no tiroteio no Recreio, outros crimes registrados na Zona Oeste foram praticados por acusados que saíram de diversas comunidades do Rio, principalmente as ocupadas pela polícia. No domingo, duas pessoas da Rocinha foram presas por roubos ocorridos na Barra da Tijuca.

Segundo o tenente-coronel Sérgio Schalioni, comandante do 31º BPM (Recreio), quase 50% dos roubos na Barra e Recreio são cometidos por criminosos da Cidade de Deus, Gardênia Azul, Rocinha e comunidades da Zona Norte como o Camarista Méier. “O confronto de sábado foi com criminosos desta região e domingo com os da Rocinha”, afirmou.

Segundo o especialista em segurança pública e fundador do Bope, Paulo Amêndola, os roubos cometidos por criminosos longe de suas comunidades aumentaram após a instalação de UPPs. “Era um fenômeno antigo que voltou com toda força. Eles roubam e depois voltam para suas comunidades. Os serviços de inteligência da PM e Civil têm que identificar estes grupos.”

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