Rio - Após quatro anos, o prefeito Eduardo Paes inaugurou as obras da Praça Mauá na manhã deste domingo. No evento, algumas pessoas foram multadas por jogarem lixo no chão, mas reclamaram que não há lixeiras suficientes na praça. O prefeito se limitou a dizer que as instalações necessárias vão ser feitas nos próximos dias.
Paes, que estava acompanhado da mulher e dos filhos, dedicou o ponto turístico na Zona Portuária "aos filhos de todos os cariocas". "Há seis anos nunca poderia imaginar a praça como está hoje. Antes aqui era um lugar que as pessoas nao podiam vir, pois tinham medo", comentou Paes, que aproveitou a reinauguração para andar de skate.
Paes destacou que a nova Praça Mauá faz parte da revitalização da cidade. "A inauguração da praça como está hoje é um marco e vai mudar a imagem antiga do local. É uma integração do Centro com o restante da cidade. É preciso olhar para o Centro porque uma cidade sem centro é uma cidade sem alma", disse o prefeito.
Segundo Paes, as obras da praça seguiram todos os trâmites legais necessários e muito ainda será feito na região. A Praça Mauá foi criada em 1910 para abrir os braços da cidade aos viajantes que desembarcavam no Porto.
O evento de inauguração começou às 9h30 e vai até o pôr do sol com apresentações de escolas de samba, oficinas de poesia, chorinho, capoeira e brincadeiras para as crianças. A alimentação fica a cargo de quituteiras tradicionais, além de food trucks.
Praia de Nossa Senhora
"A reabertura da Praça Mauá recupera um ponto fundamental e histórico do sistema viário do centro Rio com a ligação entre o Porto e a Praia do Flamengo através da Rio Branco”, explica a pesquisadora Jane Santucci, urbanista, professora da Faculdade de Belas Artes da UFRJ e autora do livro Babélica Urbe sobre as transformações do Rio de Janeiro nos anos 20.
Nos tempos coloniais, entre os séculos 16 e 19, a Praça Mauá era um alagadiço e se chamava praia de Nossa Senhora. Já no começo da República, o antigo ancoradouro foi reformado e recebeu status de porto. Ali, as famílias se acotovelavam para receber parentes e celebridades que chegavam ao maior porto do país.
Do Porto ao Aterro, a trilha da Rio Branco
Recuperar a Zona Portuária é muito mais do que devolver uma praça aos cariocas. A obra recupera um dos caminhos históricos da cidade: a ligação entre o porto e a praia do Flamengo através da Avenida Rio Branco.
Durante todo o século 19 e começo do 20, ela se chamava Avenida Central. Era a principal artéria do coração do Rio. Ali estavam as principais butiques, firmas, bancos, livrarias, teatros e cinemas da capital do Brasil.




