Por clarissa.sardenberg

Rio - O surdo ditava o ritmo e o samba era entoado por toda a Estação Primeira de Mangueira. Não era uma festa, mas uma despedida da agremiação, que compareceu em peso ontem ao Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, para dar adeus a José Luis Couto Pereira, o Luizito, de 61 anos, que morreu na madrugada de domingo, vítima de infarto.

Durante o cortejo, os sambas mais famosos da escola foram cantados pelos cerca de 400 presentes, entre eles, representantes do Salgueiro, Beija-Flor, Imperatriz Leopoldinense, prestaram a última homenagem ao intérprete oficial da Verde e Rosa.

O sentimento geral era de nostalgia. “Ele era a cara da Mangueira”, relembra Chiquinho, presidente da escola. “Amanhã será um outro dia”, completou, emocionado. “Vou dar tudo de mim para poder seguir os passos do Luizito e do Jamelão”, contou Ciganerey, escolhido o novo intérprete da escola.

Durante o enterro, a namorada de Luizito, a maquiadora Carla Souza, que estava com ele na hora da morte em sua casa, desmaiou e teve de ser carregada. O compositor Maurinho de Quintino, que puxava os sambas em homenagem ao amigo, também passou mal e teve de ser amparado. “Só hoje estou tendo noção de como meu pai tocava as pessoas. Do quanto ele era querido na escola. Me impressionou”, revelou Lucas Borges, de 20 anos, um dos dois filhos de Luizito, que também é pai de Amanda.

Corpo de Luizito foi enterrado sob forte comoçãoMaíra Coelho / Agência O Dia

No dia anterior à morte, Luizito estava na quadra da Verde e Rosa em festa para selecionar o samba de enredo do Carnaval do ano que vem, que homenageará Maria Bethania. “Sambei muito com ele, fomos até de madrugada e acordei com ele morto. É muita tristeza”, revela a amiga Kátia Braga. “A Mangueira é poesia. A última música que cantou vou guardar para sempre: “Atrás da Verde e Rosa só não vai quem já morreu.”

De voz potente e divertido, como dizem os amigos, o intérprete dos sambas da Verde e Rosa apresentava histórico de problemas cardíacos. Em 2007, sofreu um infarto em pleno ensaio técnico na Sapucaí, a 15 dias do Carnaval. Flamenguista fanático e muito querido na comunidade, ele assumiu o microfone naquele mesmo ano, após o afastamento de Jamelão. Era de Luizito a função de entoar o hino da agremiação.

Fotogaleria: Relembre a trajetória de Luizito 

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