Rio - Famílias que foram afetadas pela forte explosão que devastou imóveis na Rua São Luiz Gonzaga, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, voltaram ao local nesta terça-feira em busca de objetos pessoais. O morador de um dos imóveis mais atingidos pelo estouro contou que no local "ficou tudo destruído". "Não sei como escapei. Foi um milagre", disse o porteiro Jair Cordeiro da Silva.
"Só a pia que ficou de pé. O resto ficou tudo destruído", disse Jair. Ele morava em um quitinete com a mulher e conseguiu recuperar alguns documentos, roupas e sua carteira. O Corpo de Bombeiros e a Comlurb trabalham na limpeza no local nesta terça e autoridades analisaram os imóveis que explodiram.
Ele contou que está hospedado na casa de uma prima da esposa, em São Cristóvão. "Ela está acolhendo a gente no momento porque a gente não tinha para onde ir. Ainda estamos vendo o que vamos fazer, não sabemos ainda", desabafou Jair.
Foram mais de 50 imóveis danificados na explosão desta segunda-feira, deixando oito pessoas feridas mas todas já foram liberadas segundo a Defesa Civil.
Um laudo de perícia deve ser liberado em 30 dias e vai apontar em qual dos imóveis atingidos ocorreu a detonação da explosão.
Evidências apontam que a explosão tenha sido originada em um restaurante de comida a quilo ou em uma pizzaria ao lado. Os donos de imóveis atingidos pela explosão afirmam que o restaurante localizado na Rua São Luiz Gonzaga, número 44, tinha um estoque de gás em seu interior.
Uso de botijão é opcional no Rio
Por lei, ninguém pode ser obrigado a receber gás canalizado em sua residência ou estabelecimento comercial. Embora o Artigo 144 do Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Decreto Estadual 897, de 1976) estabeleça que não será permitida a utilização de gás em botijões ou cilindros nas edificações dotadas de instalações internas, situadas em ruas servidas por gás canalizado, a legislação diz o contrário.
A Justiça considerou que a decisão dos bombeiros é inconstitucional. Portanto, ao contrário do que informou o subsecretário de Defesa Civil, Márcio Motta, não é proibido utilizar o GLP em locais abastecidos por gás canalizado. “Isso é ilegal. Se há gás encanado, não se poderia usar o GLP”, disse Motta.
A declaração não foi confirmada pelo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Ronaldo Alcântara. “O comerciante pode optar pelo gás encanado ou de botijão, desde que cumpra a lei. Mas mesmo estando autorizado e legalizado, não temos como saber se alguém leva um botijão ou outros a mais para dentro da loja após a vistoria.”




