Linha de bonde enguiça em reinauguração após 50 anos parada

Percurso entre a Lapa e Santa Teresa foi marcado também por protesto de moradores

Por rafael.souza

Rio - O bondinho de Santa Teresa está de volta à Lapa. Após 50 anos desativada, a reinauguração da linha que liga os largos dos Guimarães e do Curvelo à Rua Francisco Muratori (esquina com com Rua do Riachuelo), no coração boêmio do Rio, foi marcada por protestos de moradores e problema nos equipamentos. O bonde que faria a primeira viagem enguiçou, por defeito no compressor de ar, e ficou parado mais de dez minutos no ponto final.

"Tivemos uma conversa importante com os moradores, que se manifestaram de maneira regular, e isso faz parte de um processo de diálogo que vem acontecendo. Teremos uma próxima reunião na terça-feira. Os problemas fazem parte de um ajuste fino de início de operação. É a oportunidade para ajustar o equipamento (bonde), as vias permanentes, o trânsito, e a ligação com o bairro", justificou o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, que conversou demoradamente com os moradores que participavam do protesto.

Reinauguração da linha que liga os largos dos Guimarães e do Curvelo à Rua Francisco Muratori foi marcada por protestosSeverino Silva / Agência O Dia

Um dos moradores, Jacques Schwarztein, presidente da AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa) apresentou uma lista de reivindicações. E criticou duramente o que o Governo do Estado chama de reinauguração.

"Não faz sentido anunciar reinauguração de alguns trechos, de alguns metros. A obra está muito longe de ser concluída", disse Jacques.

Entre as reivindicações estão a extensão do horário de funcionamento dos bondes para o horário comercial a fim de atender aos moradores de Santa Teresa, e não apenas os turistas, além da falta de diálogo com o consórcio responsável pela obra para minimizar os transtornos no bairro. Um problema crônico nas galerias de águas pluviais também foi apresentado ao secretário.

"São reivindicações importantes. Estas obras causaram, de fato, muitos transtornos aos moradores e houve, sim, dificuldades no diálogo, que estamos tentando resolver. A questão das águas pluviais, se foi um problema pontual causado pelo consórcio, este terá de resolver. Se não, a prefeitura do Rio vai resolver", garantiu Osório.

O secretário prometeu estar presente numa reunião na próxima terça-feira com os moradores para resolver o que estiver pendente.

O bonde que faria a primeira viagem enguiçou%2C por problemas no compressor de ar%2C e ficou parado mais de dez minutos no ponto finalSeverino Silva / Agência O Dia

"É reunião para tentar atender a um pleito muito correto, que é a extensão do horário para o horário comercial. Antes da paralisação, os bondes funcionavam das 6h30 às 19h30, e nosso compromisso é entrar em horário comercial terminada a pré-operação. Vamos apresentar um cronograma para a volta da grade original, que vai começar primeiro pelo trecho Carioca-Guimarães", disse Osório.

A possibilidade de estender os horários, nas noites de sexta e sábado, entre a Lapa e o Largo dos Guimarães, também será discutido.

"Em momento algum isso foi conversado com os moradores. A operação de bondes noturnos exige extremo cuidado e não é desejada por boa parte dos moradores. Esta questão não pode ser decidida unilateralmente. Santa Teresa não é um polo gastronômico. Tem alguns restaurantes e bares, mas é um bairro residencial e uma área de preservação ambiental. O acesso noturno ao bairro é importante para os moradores, mas há outras soluções, muito menos prejudiciais ao bairro", disse Jacques.

Carlos Osório garantiu que irá ouvir os moradores sobre o tema.

"O serviço seria apenas no trecho Lapa-Santa Teresa. São os períodos de maior movimento às sextas e sábados. Não temos como fazer isso todos os dias. Mas precisamos conversar com os moradores para que não seja um inconveniente para o bairro. Um bonde circulando à meia-noite deve causar transtornos", admitiu.

Carnaval

O serviço de bondes será reduzido durante o Carnaval, devido aos blocos tradicionais no bairro como Carmelitas e Céu na Terra, que inviabilizariam o serviço, segundo a secretaria de Transportes.

 

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