Alfredo E. Schwartz, presidente da AeerjDivulgação

Se o leitor pulou três ondas, levou oferendas para Iemanjá, assistiu à missa do galo, foi ao terreiro pedir um passe ao Pai de Santo, pagou o dízimo, adquiriu o direito de formular desejos para o ano que começa, aviso logo que não há ajuda possível para ganhar na Mega Sena ou fazer sucesso com o sexo oposto. Mas aqui vão os desejos que, se todos fizermos pensamento positivo, podem se realizar. Que este ano seja melhor que 2020 e 2021.

Parece fácil. Não me recordo, em minha longa vida, de dois anos tão ruins. Governantes despreparados ou mal intencionados, queimadas na Amazônia e no Pantanal, grilagem sem repressão, entre outras pragas, assolaram o país. A covid-19 dizimou a população mundial, causando tantas mortes quanto as guerras e revoluções que continuam a assolar o planeta. O aquecimento global só faz aumentar, e as emissões de carbono sem controle contribuem cada vez mais para envenenar a atmosfera.

Que as grandes potências se entendam, e a paz passe a reinar na Terra. Aí já começa a ficar difícil. A última grande estadista da nossa época, Angela Merkel, com sua sabedoria e competência, conduziu a Alemanha a uma supremacia pacífica na Europa. O que os alemães não conseguiram em duas guerras que mataram dezenas de milhões de civis, foi conseguido agora sem luta. Mas o equilíbrio entre as duas maiores potências mundiais, China e Estados Unidos, está cada vez mais instável.

A China precisa continuar se expandindo, para atender a um povo que passa a ter recursos e apetite para consumir, com acesso às redes sociais. Os índices de crescimento do país diminuíram, e mais e mais pessoas vão chegando a uma economia que já se encontra saturada. A única saída: crescer mais e mais, sem respeitar limites.

Que a Natureza pare de ser agredida. O poder de regeneração da natureza é enorme, mas tem limite. Agressões como a pesca indiscriminada em larga escala, a transformação das florestas em pastos, a mineração em terras indígenas, a poluição dos cursos d’água por esgotos e descarga de metais pesados, causam danos que não podem ser reparados.

A quantidade de animais em extinção aumenta a cada ano, e a cadeia alimentar de que fazem parte se extingue. A extração clandestina de madeira vai acabando com as grandes árvores, e assim o equilíbrio ecológico se rompe.
O Brasil é o grande celeiro do mundo. Temos território, água, clima, população. Faltam-nos governantes que, pelo menos, não atrapalhem. Vamos encarar com otimismo o ano que começa, e façamos nossa parte, por menor que seja, para melhorar o mundo.

Alfredo E. Schwartz é presidente-executivo da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ)