Avenida Martin Luther King Jr. tem muitos quilômetros de medo e violência

Antiga Avenida Automóvel Clube registrou em 4 meses mais roubos de carros por km do que a Avenida Brasil, que é maior

Por O Dia

Rio- A via que tem em seu nome uma homenagem a um pacifista, vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1964, reflete estatísticas criminais alarmantes no Rio. A Avenida Pastor Martin Luther King Júnior, a antiga Automóvel Clube, foi a campeã de roubos de carros por metro quadrado nos primeiros quatro meses deste ano, além de ser o local onde a polícia mais recupera carros roubados. A mais recente vítima, com grande repercussão, da tentativa de roubo de veículo na via foi a psicóloga da Marinha Ana Paula Cotta, de 28 anos. Atleta praticante de tiro, foi ferida por um disparo na cabeça na última quinta-feira, ao se deparar com uma falsa blitz. De acordo com parentes, seu estado inspira cuidados e ela continua internada no Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcellos.

A antiga Automóvel Clube tem 25 quilômetros de extensão e corta três municípios do Estado do RioCarlos Eduardo Cardoso / Parceiro / Agência O Dia

A avenida tem 25 Km passando por três municípios e, de acordo com registros de ocorrências da Polícia Civil, foram 296 roubos de carros e motos. Já a Avenida Brasil apresentou 547 roubos de veículos, em 58,5 Km de extensão. Ou seja, em quatro meses, a cada quilômetro, foram roubados uma média de 11 veículos na Pastor, enquanto no mesmo período, na Brasil, foram nove automóveis roubados por quilômetro.

Cercada por 20 favelas onde o tráfico de drogas é atuante, principalmente pela facção Amigo dos Amigos (ADA), cuja principal especialidade, segundo investigadores da Delegacia de Roubos de Automóveis e de Cargas, é justamente o roubo de carros, é na própria via onde a polícia recuperou entre janeiro e abril deste ano 338 unidades de veículos roubados. A maioria, avariada, e abandonada na via. 

Em 2010, a Polícia Militar tentou minimizar a sensação de insegurança na região implantando um batalhão na via — o 41º BPM (Irajá). Em 2015, os policiais que estão lotados na unidade foram os que mais mataram em confronto na capital e os que mais realizaram disparos. Foram 71 mortes, o que o ISP (Instituto de Segurança Pública) chama de “morte decorrente de intervenção policial”. Além disso, em outubro do ano passado, 73 agentes da unidade foram enviados para reciclagem por terem disparado 10% acima do limite determinado pela corporação.

8ª EM ROUBO A PEDESTRES

As casas que ficam no entorno da via possuem muros altos e portões de ferro pesados. Ainda no primeiro quadrimestre desse ano, a via aponta como a oitava colocada no roubo a pedestres — foram 77 registros de ocorrências de assaltos constatados. A violência extrema se mostra mesmo quando a vítima não reage. Em dezembro de 2015, Raphael Nogueira, 28, foi morto com quatro tiros após entregar o veículo que estava.

A Polícia Militar afirma que faz patrulhamento constante na via. Mesmo assim, em abril deste ano, foi nessa avenida que o pedreiro Alfredo Santos abandonou o corpo da menina Ana Carolina, de 6 anos, sem ser notado, depois de sequestrá-la e matá-la.

Violência que margeia via afeta metrô

A avenida Pastor Martin Luther King Jr passa no Rio por seis bairros, ligando Del Castilho à Pavuna. Já sua extensão nos municípios de São João de Meriti e Belford Roxo manteve o nome de Automóvel Clube. No trajeto, são 12 acessos à estações da linha 2 do metrô, que sofrem paralisações constantes decorrentes de tiroteios durante operações policiais ou guerras de traficantes locais.

Além disso, a violência não se restringe aos assaltos e roubos de veículos. Os moradores de sua extensão também vivem oprimidos por guerras entre traficantes de facções rivais.

No dia 13 de maio, uma adolescente morreu depois de ser atingida por um tiro durante disputa de território por traficantes no Morro do Juramento, em Vicente Carvalho, que fica localizado às margens da avenida.

Nesse tiroteio, uma composição do metrô teria sido atingida por um tiro, mas a concessionária afirmou que foi uma pedrada.

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