Terreiro de candomblé é tombado

Patrimônio cultural do estado reconhece, pela primeira vez, a relevância de espaço

Por gabriela.mattos

Rio - Pela primeira vez no Estado do Rio, um terreiro de candomblé é reconhecido por sua importância histórica, cultural e etnográfica. O tombamento do Ilê Axé Opô Afonjá — criado há 130 anos na Pedra do Sal, na Região Portuária do Rio, e que funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da Rocha, em São João de Meriti — foi publicado no Diário Oficial do Estado.

Pelo decreto 5.808, de 1982, o tombamento provisório equipara-se ao definitivo e prevê a proteção da estrutura da casa principal, do barracão, da área de convivência destinadas às cerimônias religiosas, da árvore sagrada, denominada Irôko, e do bambuzal, além de alguns bens móveis e integrados do terreiro.

Terreiro funciona desde a década de 1940 no bairro Coelho da RochaDivulgação

A líder religiosa do terreiro, Mãe Regina Lúcia D’Yemonjá, de 75 anos, comentou o ato em um vídeo no Facebook. “O tombamento trata-se de um reconhecimento de anos de resistência pela continuidade cultural”, disse.

O tombamento foi festejado por vários religiosos. Para Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, coordenador da superintendência de Igualdade Racial de São João de Meriti, o Inepac fez um excelente trabalho de pesquisa e fundamentação. “Isso é ótimo para São João de Meriti e para a história das religiões de matrizes africanas”, disse “Mais uma vitória dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana”, afirmou a mãe de santo Ignez Teixeira, no Facebook. Em novembro, ela coordenou projeto que apagou frases de intolerância religiosa em muros do Rio.

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