Polícia investiga morte de estudante em festa da UFF

Aluno de Psicologia na Paraíba participava de encontro na instituição de Niterói, que fala em causa natural. Colegas dizem ele consumiu LSD líquido e pode ser overdose

Por gabriela.mattos

Rio - A Polícia Civil investiga a morte do estudante Sady Matheus Dantas, 21 anos, ocorrida sábado, no campus principal da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. O laudo da morte ficará pronto em 30 dias. De acordo com a universidade, aparentemente a causa da morte foi natural. Estudantes, no entanto, relatam que Dantas teria consumido drogas na festa do Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais (Enecs).

O jovem era aluno de Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, e participava do encontro que reuniu cerca de 500 alunos, de 19 estados, entre 27 de agosto e 4 de setembro no campus do Gragoatá. Quem chegava ao encontro recebia um manual. Nele, além de dicas de segurança e localização, um item abordava de forma dúbia o consumo de drogas. ‘Ter overdose não é legal! Vamos entregar a todos uma cartilha de redução de danos com dicas facilitadoras de doideiras. Quem é ligeiro já se ligou!’.

Garrafas de bebidas alcoólicas estavam em local onde aluno morreuDivulgação

“Havia drogas, como ácido e cocaína. Ele consumiu gota (LSD líquido) e passou mal”, disse uma estudante da Paraíba. Domingo, garrafas e latas de bebidas alcoólicas continuavam espalhadas no pátio, assim como roupas e rolos de papel higiênico. Estudantes relataram que a notícia da morte se espalhou entre 15h e 16h de sábado.

“Não sabemos com quem esse rapaz veio. Quando surgiu a informação de que tinha falecido, era realizada a última plenária. Depois, chegaram ambulância, polícia e bombeiros. O corpo foi removido à noite”, contou um aluno.

Outras duas participantes confirmaram o uso de drogas. “Colegas acham que foi overdose”, disse uma delas. Funcionários do campus ressaltaram que o uso de entorpecentes na universidade é comum, principalmente nas festas realizadas geralmente às quintas-feiras. “Desde que as chopadas foram liberadas pela instituição, o controle ficou menor. A gente não pode fazer nada”, denunciou um vigilante.

A UFCG emitiu nota de pesar. “O Centro Acadêmico de Psicologia vem manifestar o mais profundo pesar pelo falecimento (...) presta condolências aos familiares e amigos”. O enterro será hoje, na Paraíba.

O superintendente de Comunicação Social da UFF, Afonso de Albuquerque, afirmou que colegas de Sady informaram o ocorrido à equipe de segurança às 19h10. Segundo ele, o Samu foi acionado e chegou em 30 minutos, examinou o aluno e constatou a morte.

“Não existe evidência de que a morte esteja ligada a violência ou outro fator externo. A informação que temos é que o óbito decorreu de causas naturais”, disse.

Ele esclareceu que o evento foi organizado pela Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais, não pertencente à UFF, e que a universidade não permite o uso de droga em suas dependências. “Mas temos campus com milhares de metros quadrados e não há como controlar (...) É uma pessoa que tem familiares que estão sofrendo. Sem comprovação médica (do consumo de entorpecentes), é imprudente e cruel que se produza juízo de uma pessoa a partir de boatos”, afirmou. Os organizadores foram procurados, mas não se pronunciaram.

?Com o estagiário Caio Sartori

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