Homem é espancado por grupo em Curicica e família denuncia homofobia

Ele tem quadro de politraumatismo grave ao ser espancado por cinco homens, além da orelha cortada e machucados por todo o corpo

Por adriano.araujo , adriano.araujo

José Francisco Costa Vieira%2C de 32 anos%2C foi espancado quando voltava para casa%2C na madrugada desta segunda-feira em Curicica%2C na Zona OesteReprodução Facebook

Rio - Um homem de 32 anos foi espancado por cinco homens, na madrugada desta segunda-feira, na Estrada de Curicica, no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste da cidade.

José Francisco Costa Vieira, de 32 anos, teve traumatismo craniano, a orelha cortada, braço quebrado, além de machucados por todo o corpo. Seu estado de saúde é considerado grave. A família denuncia homofobia e a Polícia Civil investiga tentativa de homicídio. 

Segundo a família, ele voltava para casa por volta das 4h da manhã quando foi atacado pelo grupo. Um inquérito foi aberto na 32ª DP (Taquara) e a delegada entendeu que, diante das graves agressões sofridas, a linha a ser investigada é tentativa de homicídio. Eles realizam diligências para localizar e prender os autores do crime e esperam a recuperação de José Francisco para também ouví-lo. 

“Não tenho dúvida de que foi um crime de homofobia. Quase mataram ele. Fiquei em estado de choque quando vi meu irmão chegando daquele jeito em casa”, disse Tarley Costa Vieira, 38 anos, irmã da vítima.

Ainda segundo a irmã da vítima, a família de José não vai deixar esse crime passar em branco. Tarley já prestou depoimento na delegacia (32° DP - Taquara) e pretende procurar ajuda junto aos órgãos do estado e município para ajudar nos cuidados jurídicos e psicológicos com seu irmão. 

A família acusou que no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, não havia tomografia para realizar o exame de imagem. Antes, eles já tinham passado pela UPA da Taquara, que disse que não tinha como atendê-lo. Ainda de acordo com familiares, ele foi transferido para um terceiro hospital, o Miguel Couto, na Gávea, a quilômetros do local das agressões.

A direção do Lourenço Jorge negou a falta de equipamento. Disse que ele chegou ao local com parentes às 6h com quadro de politraumatismo grave. Segundo a nota, José Francisco foi estabilizado na emergência, passou por avaliação médica e exames de imagem, incluindo a tomografia computadorizada.

Após estabilização do quadro, ele foi transferido em ambulância com suporte avançado (UTI) e equipe de saúde para o Hospital Municipal Miguel Couto, referência em neurocirurgia. José foi operado e encontra-se consciente.

De acordo com a Secretaria de Saúde, após estabilização do quadro, Vieira foi transferido para o Hospital Miguel Couto, referência em neurocirurgia no município, ontem pela manhã, para a realização de cirurgia.

Daniela Murta, psicóloga da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio (CEDS) esteve com Vieira e sua família na tarde desta terça-feira e segundo relato da própria vítima, ele foi espancado até ficar desacordado.

A pasta informou que, de acordo com o decreto municipal 35.816/12, foi feita a notificação de violência motivada por LGBTfobia no relatório do Sistema de Informação de Agravos por Notificação. Coordenador do programa Rio Sem Homofobia, Claudio Nascimento disse que tem reunião hoje com o delegado Rodolfo Waldeck, responsável pelo caso, para saber qual será a linha de investigação. “Vamos divulgar o caso nas redes para tentar chegar aos agressores e quem tiver informações pode entrar em contato com o disk cidadania LGBT, no número 0800-0234567”, diz.

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