Estudante homossexual é impedido de doar sangue e causa polêmica na Internet

Jovem diz que médica teria afirmando que 'é instruída a não receber sangue de gays'. Norma do Ministério da Saúde considera inaptos para doação, por 12 meses, homens que tiveram relações sexuais com homens

Por rafael.nascimento

Rio - O ator Felipe Valle, 23 anos, homossexual assumido, foi impedido de doar sangue no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na manhã desta quarta-feira. Ele acredita que tenha sido impedido de fazer a doação porque é homossexual, como declarou no questionário do Hemonúcleo da unidade, e lamentou o ocorrido em uma rede social. O hospital afirma o doador não foi discriminado por sua opção sexual.

Felipe Valle%2C 23%2C foi impedido de doar sangue no Hospital Pedro Ernesto Reprodução Internet

Felipe Valle disse que foi doar sangue para ajudar um amigo que está internado no hospital com leucemia mieloide aguda. "Fiz o procedimento de praxe. Respondi o questionamento e coloquei que eu era homossexual". 

O jovem conta que foi chamado para uma sala no hospital para confirmar o que havia dito no questionário. "A médica até foi muito educada comigo, muito humana. Mas quando ela leu que eu era homossexual, ela disse que não poderia receber o meu sangue, já que era treinada a não receber sangue de gays".

Ainda segundo o rapaz, a médica teria dito que não concordava com essa orientação. "Eu argumentei com ela que eu tinha um parceiro, mas que estamos juntos há mais de cinco anos e mesmo assim ela não pôde tirar o meu sangue".

O Hospital Pedro Ernesto afirma que não discriminou o doador e que apenas segue as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Norma do Ministério da Saúde

A Portaria 1.353 do Ministério da Saúde, que regula os procedimentos hemoterápicos, diz no Artigo 1º, Parágrafo 5º, que “a orientação sexual —  heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade —  não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria”. Já o Artigo 34, que determina a seleção de doadores, considera candidatos “inaptos temporários por 12 meses” os “homens que tiveram relações sexuais com outros homens e ou as parceiras sexuais destes”.

Felipe disse que foi fazer a doação após o apelo do amigo que perguntou as enfermeiras do Pedro Ernesto por que homossexuais não podiam doar sangue. Na ocasião as funcionárias teriam dito que pessoas que têm relacionamento com outras do mesmo sexo poderiam, sim, doar sangue, mas respeitando os critérios de segurança -- que são determinados pelo Ministério da Saúde.

"Fiquei perplexo com aquela atitude do hospital. Não estou triste com ela (a médica), pois acredito que ela foi treinada para fazer isso. Fico triste pelo hospital", lamentou.


Reportagem do estagiário Rafael Nascimento 

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