Por clarissa.sardenberg
Rio - A morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, provocou comoção na Itália. O empresário dono de uma imobiliária em Jesolo, Veneza, era querido na região, além de pai do jogador Mattia Bardella, promessa do rugby nacional. O que mais assusta a população no momento é o fato de mais um italiano ser assassinado em visita ao Brasil em menos de um mês. A Prefeitura da cidade de 23 mil habitantes manifestou pesar e se colocou à disposição da família. 
"Aqui a repercussão é grande, mas não só pelo fato de o filho de Roberto ser atleta, uma 'esperança' do esporte, mas porque é o terceiro italiano morto no Brasil", falou ao DIA o jornalista Alessandro Penna, do "Oggi". Autoridades locais contam com a polícia do Rio e algumas informações ainda estão "desencontradas".
Roberto Bardella (de cinza) e o primo Rino Polato Reprodução Facebook

Há um boato na Itália de que os primos teriam entrado na comunidade para procurar um mecânico depois da moto de Roberto ter, supostamente, perdido uma parte do chassi ao bater em uma mureta. No entanto, a versão oficial da polícia brasileira é que os primos Roberto Bardella e Rino Polato, de 59 anos, entraram por engano no Morro dos Prazeres quando voltavam de um passeio no Cristo Rendentor.

Uma manifestação contra o assassinato do italiano está marcada para as 16h desta sexta-feira, na praia de Copacabana, na altura da Avenida Princesa Isabel, Zona Sul do Rio. Manifestantes do movimento "Rio de Paz" fizeram um cartaz com os dizeres "Perdoa-nos Itália" e uma faixa em italiano.

Publicidade
Nas redes sociais, brasileiros pediram desculpas para Rino Polato e até mesmo sugeriram que ele diga a outros em seu país que não venham ao Brasil. "Estou consternada pelos acontecimentos e pela sua perda. Infelizmente isso é o Rio de Janeiro... Belo, mas assassino", escreveu uma internauta. 
Mattia Bardella é promessa do rugby na Itália Reprodução Instragram

“Eu sinto muito. Como brasileira repudio todo tipo de violência. Isto é lamentável. Nosso país é belíssimo e, quando acontece isso com nossos irmãos de outros países, nos sentimos muito abalados, nós que moramos aqui sofremos, pois, os governantes não governam, apenas nos roubam e nada fazem para que o país mude, muito triste”, publicou outra pessoa. 

A Justiça do Rio autorizou nesta sexta-feira a prisão temporária de seis suspeitos e a apreensão cautelar de um adolescente pelo assassinato de Bardella. As prisões foram representadas pelo delegado André Leiras, da Divisão de Homicídios (DH) da capital, e deferidas pelo Plantão Judiciário. Os sete foram identificados pelo primo da vítima, que ficou refém dos criminosos. Segundo a Polícia Civil não serão divulgados os nomes dos envolvidos para não atrapalhar as investigações.

Os decretos de prisão foram expedidos pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, que destacou que o crime mostra como os cariocas estão vulneráveis à violência e mancha ainda mais a imagem da cidade e do Brasil. "Em verdade, o hediondo episódio maculou, ainda mais, o nome e a fama desta sofrida cidade do Rio de Janeiro e, por via de consequência, de todo o Brasil, que ostenta alarmantes índices de criminalidade urbana. Como cidadã e como magistrada que sou, tristemente declaro que me envergonho a cada nova ocorrência similar", emitiu a juíza em parecer.

Nesta sexta-feira, a comunidade dos Prazeres amanheceu com policiamento reforçado por conta do assassinato. De acordo com a Unidade de Polícia Pacidficadora (UPP) local, o Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) faz uma operação na região. 

"Não consigo entender como acontecem essas coisas. Ele era um excelente esportista, amava sua moto", disse o vereador Ennio Valiante à agência italiana Ansa nesta quinta-feira. "Éramos amigos desde 1994, eu o vi antes do dia de sua partida. É perturbador o que ocorreu, ele era um homem prudente", acrescentou.

Roberto e Rino eram motociclistas e faziam uma viagem pela América Latina. Como no capacete de Roberto havia uma câmera acoplada, o delegado Fábio Cardoso, da Divisão de Homicídios (DH), diz que ele foi confundido com um policial pelos criminosos armados. Ele desobedeceu a ordem de parar a moto e foi baleado na cabeça e no braço, morrendo na hora.

Rino se salvou ao parar a moto, erguer os braços e retirar o capacete. Ele só foi liberado quando os bandidos perceberam que eram turistas e que seu capacete era diferente do outro. Mesmo assim, foi feito refém por duas horas e ficou traumatizado.

No último dia 17 de novembro, a siciliana Pamela Canzonieri foi encontrada morta no Morro de São Paulo, na Bahia. Um homem confessou que a matou estrangulada. Já no dia 5 deste mês, o milanês Alberto Baroli foi assassinado no Ceará após reagir a um assalto.