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Bangu lidera roubos de celulares

Só no ano passado, 686 vítimas registraram o crime no bairro. Dados não incluem furtos

Por bianca.lobianco

Rio - Bangu ostenta, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no indesejável ranking de localidade onde mais se rouba celulares na Capital, entre as 20 que mais sofrem com essa violência na cidade. Só em 2016, bandidos arrancaram 686 telefones móveis das mãos de seus donos naquela área. Conforme O DIA mostrou ontem, nunca se roubou tantos celulares como agora no estado.

Na casa onde Bola morava%2C apesar da fachada simples%2C policiais encontraram equipamentos de última geraçãoDivulgação Polícia Civil

Ano passado foram registrados 19.583 casos desse tipo de crime, 63% a mais que em 2015 (12.038). Especialistas, porém, acreditam que as estatísticas negativas sejam piores, uma vez que a metade das vítimas deixa de comunicar os roubos à polícia, seja por medo ou para evitar a burocracia. “Isso é uma realidade apontada em várias pesquisas. Sem contar que não estão incluídos os acessórios furtados (quando a pessoa não percebe que o bem foi levado)”, ressalta Jorge Lordello, especialista em Segurança Pública e Privada, e estudioso no assunto.

Leandro dos Santos, o Bola, preso no dia 23 por roubo a lojaFoto%3A Divulgação

Na região central do Rio, as ruas localizadas nas imediações da Praça da República, próximo ao Saara e Central do Brasil, são as mais inseguras para o usuário falar ao celular. Por lá, ano passado, 327 pessoas foram atacadas e ficaram sem seus aparelhos. Já na Zona Norte, o bairro de Vicente de Carvalho é insuperável nesse quesito, tendo computado 437 casos no mesmo período. Botafogo, por sua vez, supera outros bairros da Zona Sul, com 232 aparelhos subtraídos de seus donos pelos assaltantes de janeiro a dezembro de 2016.

Em nota, a Polícia Militar informou que atua “por meio de rondas em viaturas e motos, além de constantes operações, onde são feitas abordagens a suspeitos”. Ainda segundo a PM, os roubos de celulares estão entre as prioridades no que diz respeito ao combate a roubos de rua, e que “o patrulhamento é planejado a partir da análise da mancha criminal de cada região”.

Ranking de bairros

De acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública, na região Central, foram registrados ainda no ano passado: 289 casos, na área da Rua Mem de Sá; 145, na Cidade Nova; 130 na Praça Mauá (130); Santa Teresa (32). Na Zona Norte, foram ainda 434 em Madureira; 408 em Bonsucesso; 339, na Praça da Bandeira; e 337, no Méier. Na Zona Oeste, depois de Bangu, vêm Campo Grande, com 473; Ricardo de Albuquerque, 469; Pavuna, 454; e Realengo, 360. Na Zona Sul, 170, no Catete; 153, no Leblon; 85, em Copacabana e 72, em Ipanema. 

Bandidos vivem no luxo

Na tentativa de despistar a polícia, os principais chefões de quadrilhas especializadas em roubos de cargas de celulares, vivem em favelas e bairros da periferia, em imóveis simples, mas equipados com eletroeletrônicos sofisticados, que lhe garantem boa vida. No dia 23 do mês passado, por exemplo, agentes da DRCPIM se surpreenderam ao prenderem Leandro dos Santos, o Bola, no Engenho Novo, por roubo, majorado pelo concurso de pessoas e emprego de arma e associação criminosa, em assalto a uma loja de celulares na Tijuca.

“Apreendemos em sua casa, documentos que comprovam a aquisição de diversos equipamentos eletrônicos, em nome de terceiros, e cujos valores eram incompatíveis com a renda familiar de Leandro, como uma TV Led 75 polegadas, no valor de R$ 9.3 mil, além de geladeiras e fogões modernos”, destaca o delegado da DRCPIM, Celso Gustavo. Na residência do acusado, que nega os crimes, a polícia encontrou até hidromassagem, piscina e churrasqueira.

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