Disputa pelo tráfico no Leme aterroriza moradores

Bope foi acionado para conter tiroteio entre traficantes da Babilônia e Chapéu Mangueira

Por Bruna Fantti

Flagrante do DIA mostra criminoso armado fugindo pelas lajes
Flagrante do DIA mostra criminoso armado fugindo pelas lajes -

Rio - Traficantes rivais levaram mais um dia de desespero a moradores das comunidades Chapéu Mangueira e Babilônia, na Zona Sul. Durante a troca de tiros entre os criminosos, que pode ser ouvida nos prédios da redondeza, O DIA flagrou homens com roupas camufladas fugindo pelas lajes das casas.

De acordo com a Polícia Civil, a guerra entre os dois grupos se acirrou em fevereiro, quando traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), comandados por Paulo Roberto da Silva Taveira, o Cara Preta, chefe do tráfico do Chapéu Mangueira, expandiu seu domínio para a Babilônia, coordenada pelo Comando Vermelho (CV).

Preso desde 2009, Cara Preta fugiu da prisão em julho após receber autorização judicial para visitar a família. Ele não retornou ao presídio e, desde então, é considerado foragido. Para comprar armas para a invasão, Cara Preta teria retomado um antigo crime, o de disfarce com outra profissão, para assaltar prédios luxuosos. Foi o que ele fez em fevereiro, só que de forma mais audaciosa: se vestiu como policial federal.

Segundo a 14ª DP (Leblon), quatro homens e uma mulher se apresentaram ao porteiro do prédio como agentes da Polícia Federal. Um deles estava com terno e dizia ser delegado. Com um mandado de busca falso, o grupo solicitou na portaria a entrada em um apartamento, o que foi autorizado pelo morador. No local, eles roubaram R$ 110 mil, além de jóias, e fugiram após amarrar o casal que residia no imóvel.

"A tentativa de retomada do Comando Vermelho teria contado com traficantes de todas as comunidades da Zona Sul. Chapéu e Babilônia são as únicas comunidades que são do TCP na região", afirmou um investigador.

Desde agosto, assim que saiu da prisão, Cara Preta tentava tomar o tráfico das duas favelas. Dados da inteligência da Polícia Civil apontam que ele só teria conseguido em fevereiro, após conseguir comprar mais armas com os assaltos realizados. Desde então, tiroteios são frequentes na região.

"De manhã não apareceu quase ninguém por aqui e a tarde também tem pouca gente. As pessoas ficam receosas. Apesar dos tiros serem lá em cima, parece que está acontecendo aqui do lado", relatou um funcionário de um estabelecimento do Leme, que pediu para não ser identificado.

Armas apreendidas

Na invasão de terça-feira, de acordo com a polícia, o CV teria reunido cerca de 30 homens com fuzis. O Terceiro Comando chegou a pedir reforço de favelas do Centro do Rio, mas que não chegaram a tempo, pois a PM realizou blitz na região.

O Bope entrou nas comunidades assim que a troca de tiros teve início, às 5h30. A PM acredita que muitos criminosos tenham se escondido na mata e, por isso, deu início a buscas na vegetação. À noite, dois criminosos foram baleados, socorridos ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiram. Duas armas, sendo um fuzil M-16 e uma pistola, foram apreendidas com eles.

O Disque-Denúncia oferece R$ 1 mil por informações que levem a prisão dos traficantes, incluindo Cara Preta.

Colaborou a repórter Beatriz Perez

Galeria de Fotos

Flagrante do DIA mostra criminoso armado fugindo pelas lajes Severino Silva / Agência O Dia
Criminoso armado com fuzil foge por lajes após incursão do Bope na favela Severino Silva/ Agência O Dia
Flagrante do DIA mostra criminoso armado fugindo pelas lajes Severino Silva/ Agência O Dia

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