Morador diz que seu carro foi alvejado por tiros de fuzil na Favela do Antares

Desde a última sexta, região de Santa Cruz tem intensos tiroteios por causa de uma guerra entre traficantes e milicianos

Por Raimundo Aquino

Favelas do Rola e Antares vivem um guerra entre traficantes e milicianos desde a última sexta
Favelas do Rola e Antares vivem um guerra entre traficantes e milicianos desde a última sexta -

Rio - A guerra entre traficantes e milicianos em duas comunidades de Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade, teve mais um triste episódio nesta segunda-feira. Um morador da Favela do Antares disse que seu carro foi alvejado por mais de 10 tiros de fuzil, por volta das 21h, quando saía da comunidade com seus dois netos. O borracheiro Antonio Carlos Pereira, de 50 anos, comemora ninguém, nem seu veículo, ter sido atingido pelos disparos.

"Quando eu estava entrando na Avenida Antares, percebi os tiros sendo disparados em direção à gente. Pedi para meus netos se ogarem no chão do carro. Eles desceram do banco e ficaram quietinhos. Acelerei e vi os tiros passando rente ao veículo", Antonio relembra os momentos de desespero com os netos.

O borracheiro conta que resolveu deixar a comunidade naquela hora porque as crianças estavam chorando com medo do tiroteio que já era ouvido há horas na comunidade. A região é alvo de uma disputa entre milicianos e traficantes desde a última sexta-feira. A guerra entre os dois grupos seguiu pelo quarto dia seguido nesta segunda.

"Na hora que resolvi sair de lá, abaixei os vidros do carro, deixei o farol baixo e liguei o pisca-alerta. Isso tudo justamente para eles verem que era morador. Mas pode ser que algum traficante ou miliciano achou que fosse alguém do grupo rival", Antonio cogita.

Três horas na rua

O morador diz que seguiu dirigindo por cerca de 1 km até parar com o carro para ver como estavam seus netos. Ele ficou circulando pelas ruas do bairro com as crianças até retornar à sua casa três horas depois, já na madrugada desta terça. Os tiro ainda eram ouvidos na comunidade.

"Tem 40 anos que eu moro no Antares e nunca passamos nada tão parecido quanto agora. Da forma como tudo está acontecendo, com tiros dessa magnitude, é novidade. E quem sofre são os moradores, os inocentes", Antonio lamenta a guerra na região.

Por causa do tiroteio na região, a polícia tem feito operações nas comunidades - Reprodução / Interent

A guerra em Santa Cruz

O tiroteio que assusta moradores das comunidades de Santa Cruz começou na sexta com uma invasão de milicianos na Favela do Rola. Homens da Liga da justiça, bando liderado pelo miliciano Ecko, entraram na comunidade, até então, dominada pela facção Comando Vermelho (CV). Por conta disso, traficantes locais se refugiaram na Favela do Antares. Além de sexta, houve confrontos no sábado, domingo e agora na segunda.

Os disparos do fim de semana fizeram com que a linha de ônibus 17 (Campo Grande x Santa Cruz), que leva os passageiros da Avenida Cesário de Melo, em Campo Grande, até a estação Santa Cruz do BRT Transoeste, parasse de circular. A linha só voltou a funcionar nesta segunda, após mais de 24 horas de interrupção.

Homens com toucas ninjas e fuzis, que seriam milicianos, se misturam com PMs fardados na Cesário de Melo - Reprodução / Internet

A guerra fez com que agentes do Comando de Operações Policiais (COE) fossem enviados à região. Na operação, um homem foi preso e diversas armas e munições apreendidas entre domingo e segunda.

O confronto na região também levou a prisão de quatro policiais militares (um segundo sargento, uma cabo e dois soldados). Eles, todos lotados no 27º BPM (Santa Cruz), são suspeitos de ajudarem os milicianos que estão tentando dominar a região.

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Favelas do Rola e Antares vivem um guerra entre traficantes e milicianos desde a última sexta Reprodução / Google Street View
Homens com toucas ninjas e fuzis, que seriam milicianos, se misturam com PMs fardados na Cesário de Melo Reprodução / Internet
Por causa do tiroteio na região, a polícia tem feito operações nas comunidades Reprodução / Interent

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