Mulher que morreu em hospital deixou Minas para ficar perto dos filhos e netos no Rio

Segundo Rangel Luiz Marques, que fez as imagens da mãe no Hospital Getúlio Vargas e acusa de negligência os profissionais, ela era o núcleo da família

Por ADRIANO ARAÚJO

Dona Irene deixou 7 filhos e nove netos
Dona Irene deixou 7 filhos e nove netos -

Rio - Irene de Jesus Bento, de 54 anos, que morreu após sofrer para ser atendida no Hospital Getúlio Vargas, deixou há dois anos sua cidade natal Miraí, na Zona da Mata de Minas Gerais, para ficar perto dos filhos e netos, que vivem no Rio de Janeiro. Rangel Luiz Marques, que fez as imagens da mãe no hospital e acusa de negligência os profissionais, vive no Rio há 18 anos, para onde veio em busca de uma vida melhor. Segundo ele, a mãe era o núcleo da família.

"Viemos de Minas para tentar a vida aqui. Agora que ela tinha nos acompanhado acontece isso. Somos de Miraí, no interior, e ela estava há dois anos com a gente aqui, todos os filhos estavam aqui e quis ficar do lado da gente", contou.

Um dos filhos de Irene está preso e é usuário de drogas, assim como a mulher dele. Com isso, ela obteve a guarda do neto, filho do casal e o criava, segundo Rangel. No próximo dia 4 a criança completa um ano e uma festa estava programada.

"Ela que cuidava da criança, que hoje está gorda, forte. Minha mãe também cuidava do meu outro sobrinho, filho da minha irmã que trabalha. Ela era tudo para nós, tudo que fazíamos ela era nossa referência, morávamos na mesma rua, todos próximos", disse Rangel, que faz fretes para e vende água na Ceasa, em Irajá. A família mora na comunidade Para Pedro, no bairro Colégio.

Irene Bento retornou para a cidade mineira de Miraí dentro de um caixão, no último domingo. Seu corpo foi enterrado no cemitério do município nesta segunda-feira. Ela tinha sete filhos e nove netos.

O caso aconteceu no último sábado, quando Irene deu entrada no Hospital Getúlio Vargas, acompanhada pelo filho Rangel, com falta de ar e dor no corpo. As acusações de negligência no socorro à mãe foram feitas por ele, que registrou vídeos da falta de atendimento à mãe.

O caso foi registrado na 38ª DP (Brás de Pina), mas será encaminhado e investigado pela 22ª DP (Penha). Procurada pelo DIA, a Secretaria Estadual de Saúde, que responde pelo Hospital Getúlio Vargas, disse que a direção da unidade "lamenta o ocorrido e informa que tomará as providências para que os envolvidos sejam responsabilizados." A reportagem fez uma série de perguntas, mas ela não foram respondidas.

A reportagem também procurou o Conselho Regional de Medicina (Cremerj), que informou ter tomado conhecimento do fato nesta quarta-feira. O Cremerj abrirá uma sindicância para apurar o caso.

"Vamos pedir também esclarecimentos da UPA e os prontuários, para conferir funcionário por funcionário que trabalhou no dia que a Irene morreu", destacou o presidente do conselho, o médico Nelson Nahon. Segundo ele, o governo estadual tem que aplicar 12% na saúde, mas apenas 5% foram repassados.

Secretaria reavalia protocolos

A Secretaria de Estado de Saúde publicará nesta quinta-feira em Diário Oficial a criação de uma comissão interveniente no Hospital Estadual Getúlio Vargas. O objetivo, segundo a pasta, é reavaliar todos os protocolos assistenciais e de classificação de risco da unidade para evitar que episódios como o de Irene se repitam.

Em nota, a secretaria reiterou que a rede estadual está abastecida, em pleno funcionamento e com todos os contratos com as Organizações Sociais de Saúde pagos em dia.

No entanto, de acordo com o Cremerj, nos dois anos e sete meses do atual governo de Pezão foram R$ 5,5 bilhões desviados da saúde. "Isso resulta em tomógrafo parado sem conserto há um ano, redução do número de médicos e enfermeiros por falta de pagamento, remédios em falta por atraso no pagamento das distribuidoras", destacou Nelson Nahon.

Últimas de Rio de Janeiro