Bueiro sem tampa, um perigo nas ruas

Além das grades, bandidos levam proteção de galerias pluviais causando acidentes

Por GUSTAVO RIBEIRO E RAFAEL NASCIMENTO

Erão caiu de bicicleta em bueiro aberto: 'Rolei para não ser atropelado'
Erão caiu de bicicleta em bueiro aberto: 'Rolei para não ser atropelado' -

Rio - O Campo de Santana, que teve suas grades de ferro centenárias furtadas, como O DIA denunciou ontem, não é o único patrimônio público alvo de bandidos em busca de metal para vender. Grades do Parque Recanto do Trovador, em Vila Isabel, onde funcionou o primeiro jardim zoológico brasileiro, também foram arrancadas. Em vários bairros, criminosos não têm poupado nem tampas de bueiros que podem pesar 15 quilos e cabos de energia e telefone.

Fundado em 1888, o antigo zoológico foi transferido para a Quinta da Boa Vista em 1945 e hoje é uma área de lazer. O gradil que cerca o parque, ao lado do Morro dos Macacos, é o mesmo retirado do Campo de Santana em 1938 quando este foi reduzido para a construção da Avenida Presidente Vargas.

Há rombos em dois pontos do gradil do parque de Vila Isabel. Um deles, sem seis grades, foi por furto, segundo a Fundação Parques e Jardins (FPJ), que administra a área. O órgão não esclareceu quando o crime ocorreu. Um ambulante contou que faz cerca de dois anos.

Dezenas de pontas douradas no topo dos ferros também sumiram. Outro vão maior sem grades foi ocasionado pela queda de uma árvore. A instituição está orçando os custos do reparo e o projeto precisa da aprovação do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, já que o espaço é tombado. De acordo com a FPJ, foram registradas ocorrências. A Polícia Civil não respondeu sobre a investigação.

Em Vila Isabel, Maracanã e Tijuca, moradores contam que criminosos furtam as tampas de bueiros à noite. Nas ruas São Francisco Xavier, Maxwell, Pereira Nunes e Gonzaga Bastos, mais de 15 galerias pluviais estão sem tampas. O material é vendido em ferros-velhos.

Na semana passada, um menino de 13 anos caiu em um buraco e se machucou na Rua Maxwell, em Vila Isabel, e por sorte não foi atropelado. "Não é de agora que isso acontece. Os bandidos vêm aqui e levam as tampas. Há meses ligamos para a prefeitura para relatar o problema", conta a assistente comercial Renata de Almeida Pereira, 39 anos. Entregador em uma loja, Erão Fernandes de Oliveira, 30, caiu em um bueiro na Rua São Francisco Xavier, no Maracanã, há dois meses, trabalhando de bicicleta. "Atrás vinha um ônibus. Quando eu caí, rolei para não ser atropelado."

Cabeça de monumento de bronze na Quinta foi levada

Sete monumentos sob os cuidados da Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente foram furtados na cidade de janeiro a julho, como a reportagem mostrou ontem. O busto em bronze de José Bonifácio, na Quinta da Boa Vista, foi um deles, em maio, e ainda está sem cabeça.

Na Vila da Penha, bandidos furtaram as grades do BRT que dividem as duas pistas para ônibus articulados. O DIA percorreu ontem de Vicente de Carvalho a Bonsucesso e observou a falta de gradeamento entre uma pista e outra em grande extensão do sistema. Comerciantes e moradores dizem que os ferros foram furtados há pelo menos um ano e ainda não foram repostos. Questionada, a empresa informou que a responsabilidade é da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A pasta disse que a reposição cabe ao consórcio.

O furto de cabos dos postes também é comum. Na Rua Araújo Lima, em Vila Isabel, uma loja de construção ficou sem linha telefônica entre segunda e terça-feira e sofreu prejuízo, já que 70% das vendas são por telefone. "Aumentou a demanda por ralos e tampas de esgoto na loja por causa desses crimes", contou o dono, sem se identificar. No sábado, uma padaria da rua só pôde vender os produtos pré-fabricados, porque estava sem luz. Há relatos semelhantes em bairros próximos, como Benfica, Riachuelo e Engenho de Dentro. Na entrada do Túnel Noel Rosa, no Riachuelo, moradores de rua queimavam fios de cobre ontem para vender. Criminosos entraram em pelo menos três casas da Rua Maxwell neste ano e levaram os hidrômetros.

 

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