Museu Nacional terá ajuda internacional

Sociedade que edita a National Geografic que ajudar instituição destruída pelo fogo. Obras de reconstrução só devem começar depois de um ano

Por RAFAEL NASCIMENTO

Museu Nacional está interditado por tempo indeterminado
Museu Nacional está interditado por tempo indeterminado -

Rio - O apoio internacional envolvendo vários países em busca de ações para reconstrução e restauração do Museu Nacional deve chegar até o Parlamento Europeu. O governo da Bulgária se colocou à disposição do Brasil para fazer os encaminhamentos necessários. Além disso, a Unesco e vários governos também apresentaram propostas de ajuda. Nos próximos dias, chegará ao Rio uma missão do Centro de Estudos sobre a Preservação e Restauração de Bens Culturas (Icrom), vinculado à Unesco, para verificar o que pode ser feito em relação ao acervo do museu.

Após três dias verificando a documentação do museu, o Corpo de Bombeiros confirmou que a instituição bicentenária estava irregular em relação à segurança contra incêndio e pânico, como O DIA noticiou na edição de terça-feira. Segundo a corporação, nunca foi feito o auto de vistoria para certificar o espaço. "Não tem o Certificado de Aprovação (CA) da corporação, o que significa que está irregular. O CA atesta a conformidade das condições arquitetônicas, bem como as medidas de segurança exigidas pela legislação (extintores, caixas de incêndio, iluminação e sinalização de segurança, portas corta-fogo)", disse, em nota.

Questionado se o Corpo de Bombeiros deveria fiscalizar e, ao constatar a irregularidade, fechar o museu, a corporação disse que precisa ser "provocada" por denúncias ou pedido, o que, segundo os bombeiros, nunca aconteceu. A direção disse que, no momento, não irá se pronunciar.

"É importante ressaltar que estar em conformidade com as medidas de segurança contra incêndio e pânico é uma obrigação de todos. É de responsabilidade dos administradores dos imóveis o cumprimento da legislação vigente", acrescenta o texto.

Os museus devem cumprir uma série de exigências de segurança, como o auto de vistoria. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros e secretário estadual de Defesa Civil, Roberto Robadey, disse segunda-feira, que de 2014 até este ano não havia vistoria registrada. Os documentos não foram digitalizados e teriam que ser buscados nos arquivos.

Reestruturação no sistema anti-incêndio estava nos planos do Museu, diz a vice-diretora, Cristiana Serejo. "Extintores estavam em dia. Eram feitas vistorias nos extintores. Muita coisa esbarra na burocracia. Museus do mundo inteiro têm portas anti-incêndio, é verdade. Mas como fazer isso em um prédio tombado?".

Serejo já havia confirmado que o prédio, que acabou de completar 200 anos, não tinha brigada de incêndio, mangueiras, sprinkles ou hidrantes internos. O número mínimo de saídas de emergência, segundo a pesquisadora, também não seria respeitado por limitações técnicas, já que o imóvel era tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O diretor-executivo da National Geographic Society (NatGeo), Gary Knell, ofereceu ajuda ao Brasil na reconstrução do Museu Nacional. Durante um evento com o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral, na terça-feira, Knell disse que a NatGeo poderá ajudar com parte de seu acervo e com apoio financeiro.

 

Um ano para começar obra

O Museu Nacional ainda vai demorar para ser reerguido. A estimativa do governo é que leve até 12 meses para as obras começarem. Antes da reconstrução, será necessária a elaboração de um projeto. O plano pode levar até um ano para ser implementado, vai definir qual será o valor necessário para execução da reforma.

Foi feita reunião para discutir a criação de um comitê para reconstrução. Esse comitê dará suporte financeiro ao fundo patrimonial, cuja ideia foi anunciada terça-feira. Uma medida provisória será editada para regulamentar a criação do fundo, de natureza privada.

Muito ligado ao museu, após passar meses entre os pesquisadores da instituição para compor o enredo sobre os 200 anos da instituição da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, o carnavalesco Cahê Rodrigues visitou o que sobrou. "Foi uma tragédia anunciada. Conheci salas que estavam fechadas e vi a estrutura danificada, com áreas interditadas para evitar acidentes".

Com informações da Agência Brasil

Comentários

Últimas de Rio de Janeiro