Manifestação fecha Estrada do Catonho após avó e netos morrerem atropelados

Moradores de Jardim Sulacap, na Zona Oeste, reclamam da falta de sinalização no trecho onde ocorreu tragédia e pedem passarela

Por RAFAEL NASCIMENTO

A avó Mirian Batista de Moura Graça, 60 anos, com os netos Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. Os três morreram atropelados na Estrada do Catonho
A avó Mirian Batista de Moura Graça, 60 anos, com os netos Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. Os três morreram atropelados na Estrada do Catonho -

Rio - Um grupo de manifestantes fechou parcialmente a Estrada do Catonho, na altura da Rua Caratuva, em Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio, na manhã desta sexta-feira, complicando o trânsito na região. Cerca de 60 pessoas protestaram após Miriam de Batista de Moura Graça, 60 anos, e os netos, de 4 e 7 anos, morrerem atropelados, quinta-feira à noite.

Eles reclamaram da falta de sinalização no trecho e reivindicam também uma passarela. Segundo os moradores, o problema é antigo e outros acidentes já aconteceram. Uma nova manifestação está prevista para o fim da tarde. A Polícia Civil esteve na região em busca de imagens de segurança que possam ajudar na identificação do autor do crime. 

"O ponto de ônibus onde eles desceram é no meio da estrada. Por ser uma pista de subida e descida, os veículos passam muito rápido. Não tem iluminação à noite, a conservação não vem para limpar, a CET-Rio não põe quebra-molas. Há anos pedimos uma passarela aqui. Há um ano, um porteiro de um condomínio aqui em frente morreu atropelado. Há 30 anos, uma família inteira foi morta. A sinalização só tem a três quilômetros daqui, a gente se arrisca", disse uma moradora. 

Moradores protestaram após morte de avó e netos na Estrada do Catonho - Facebook / Padre Miguel News

Segundo os manifestantes,  motoristas passam em alta velocidade pela estrada e faltam radares e sinais de trânsito para a população local. O limite de velocidade no trecho é de 70 km/h. 

"Já pedimos há anos para virem resolver esse problema (do mato e da falta de sinalização), mas nada. Estamos largados. Quem quer melhorar a calçada tem que bancar do próprio bolso. Enquanto isso, vidas estão sendo perdidas. Pagamos impostos e exigimos que eles voltem em algum benefício”, diz Verônica Nunes Alevino, 46 anos.

Durante o protesto, dois guardas municipais ajudavam no controle do trânsito. Após a manifestação, que durou quase duas horas, eles foram embora. A PM enviou duas viaturas, mas também só ficaram durante o ato.

Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) informou que após vistoria e análise realizada por equipe técnica no local, apesar das 31 placas de sinalização existentes de velocidade máxima de 70 km e radares nos dois sentidos da via, foi decidido que haverá um reforço na sinalização com colocação de mais placas de advertência e pintura de faixas induzindo a redução de velocidade.

"A colocação de um sinal de trânsito se torna inviável, por se tratar de uma curva, assim como a colocação de tachões na pista . A CET-Rio estuda, também, a colocação de uma Lombada Eletrônica, mais próxima ao local do acidente, para coibir o excesso de velocidade de alguns motoristas. A CET-Rio esclarece que não tem nenhum registro de solicitação de semáforo ou equipamento eletrônico para o local, como mencionado pelos moradores", diz o texto da companhia. 

Já a Comlurb disse que o roçado do mato às margens da via é feito uma vez por mês e que a próxima acontecerá no dia 26 deste mês. A última vez que o serviço foi realizado foi no dia 9 de agosto, inclusive na área onde ocorreu o acidente, segundo a companhia.

 

Família tinha acabado de desembarcar do ônibus

A idosa foi identificada como Miriam Batista de Moura Graça, de 60 anos, e seus netos eram Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. Miriam tinha deixado os netos na explicadora, no início da tarde, em Realengo, e por volta das 16h foi para a igreja no mesmo bairro. Quando deixou o culto, pegou os dois meninos, pararam na padaria para um lanche e entraram no ônibus para voltarem para casa. 

Os três tinham acabado de desembarcar de um ônibus na via, por volta das 20h, atravessaram as pistas e, quando já chegavam do outro lado, no sentido Cemitério Jardim da Saudade, foram atingidos por um carro, que os arremessou a uma distância de 400 metros. O trecho não tem sinalização e o motorista do veículo fugiu sem prestar socorro.

Um dos pés do tênis de um dos meninos ainda está no local do acidente. Miriam fazia 61 anos no próximo dia 28. O enterro dos três será no final desta tarde no Cemitério de Ricardo de Albuquerque e, em seguida, um novo protesto está marcado na Estrada do Catonho.

"As crianças eram a diversão da rua. Foram atropelados por um irresponsável, por um motorista estúpido que não teve a dignidade nem de parar para socorrê-los", disse Rosângela Araújo, de 51 anos, que era amiga de Miriam.

Um tênis de um dos meninos atropelados com a avó ainda está no trecho onde aconteceu o acidente - Agência O Dia

Os dois meninos eram filhos de Tamires, que perdeu a família inteira na tragédia, já que o pai morreu há alguns anos. Ela foi criada por outra mulher na infância, pois Miriam não tinha condições financeiras. A irmã de criação de Tamires esteve no protesto e disse que todos sabiam que um acidente desses poderia voltar a acontecer. 

"Foi uma tragédia anunciada. Todo mundo sabia que uma hora ou outra isso aconteceria de novo. Ele destruiu a família da Tamires. Queremos que ele seja encontrado e punido", disse Ana Paula Souza.

 

 

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A avó Mirian Batista de Moura Graça, 60 anos, com os netos Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. Os três morreram atropelados na Estrada do Catonho Arquivo pessoal
Um tênis de um dos meninos atropelados com a avó ainda está no trecho onde aconteceu o acidente Agência O Dia
Moradores protestaram após morte de avó e netos na Estrada do Catonho Facebook / Padre Miguel News

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