Advogada algemada em fórum ganha ato de apoio em Duque de Caxias

Vídeos sobre o incidente com Valéria Lúcia dos Santos foram compartilhados em todo o país

Por Agência Brasil

Ato de desagravo foi realizado nesta segunda em frente ao Fórum de Duque de Caxias
Ato de desagravo foi realizado nesta segunda em frente ao Fórum de Duque de Caxias -

Rio - A advogada Valéria Lúcia dos Santos foi o centro das atenções de um ato de desagravo, realizado nesta segunda-feira, em frente ao Fórum de Duque de Caxias, que contou com dezenas de pessoas, inclusive o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia. Valéria, que é negra, foi detida e algemada no último dia 10, dentro do fórum, durante uma audiência, a pedido de uma juíza leiga. A cena foi gravada e causou indignação por todo o país.

A manifestação atraiu advogados e militantes defensores das causas raciais e dos direitos das mulheres. Embora o ato tenha sido pacífico desde o início, o fórum teve as portas fechadas, o que deixou os advogados ainda mais inconformados.

"Este caso terá vários desdobramentos, na corregedoria estadual, no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e no âmbito da OAB. Porque a colega, juíza leiga, que determinou que Valéria fosse algemada, é uma advogada. Portanto, a sua ação também será examinada sob o prisma ético-disciplinar. Mas o que mais fica deste momento é se nós estamos agindo bem com esta linha de extremismos, de intolerância e de violência, que vimos esta colega sofrer", disse Lamachia.

Segundo ele, o fato atentou contra o próprio Estado Democrático de Direito: "Algemar uma advogada, dentro de uma sala de audiência, no exercício de sua profissão, é algo inaceitável, sob qualquer aspecto. O meu sentimento é que, naquele momento, a democracia brasileira foi algemada".

'Sentar e conversar'

A manifestação atraiu advogados e militantes defensores das causas raciais e dos direitos das mulheres - Fernando Frazão / Agência Brasil

Apesar do trauma que o fato lhe deixou, com exposição de imagens compartilhadas por todo o país, Valéria disse que sua atitude será a de conversar com a juíza leiga que determinou a ordem de lhe colocar algemas.

"Eu me sinto muito acolhida, tanto pela OAB quanto pela sociedade civil. Sobre minha colega, nós duas temos que sentar e conversar. Não é jogar pedra. Para a gente evoluir como pessoa. A gente não pode se dividir, temos de nos unir. Não importa a cor da pele. O que eu quero é que nunca mais isto aconteça. Nunca mais", disse Valéria.

Consequências

O fórum teve as portas fechadas, o que deixou os advogados ainda mais inconformados - Fernando Frazão / Agência Brasil

A advogada relatou que, no momento em que foi algemada, se sentiu muito mal e ofendida em sua dignidade. "Eu me senti muito ferida. Depois fui para casa e chorei sozinha. Me feriram, mas eu não fui vencida. Olha o que mobilizou o país. O Brasil respondeu. A gente precisa construir um país melhor para os nossos netos", disse.

Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), que comanda o sistema de Justiça estadual do qual faz parte o Fórum de Duque de Caxias, se limitou a responder, em nota, que os fatos estão sendo apurados: "Em relação aos fatos ocorridos na audiência na semana passada, os fatos estão sendo apurados. O TJ vai se manifestar na conclusão da apuração".

A advogada foi detida e algemada no último dia 10, dentro do fórum, durante uma audiência, a pedido de uma juíza leiga - Fernando Frazão / Agência Brasil
A cena do último dia 10 foi gravada e viralizou na Internet - Fernando Frazão / Agência Brasil

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Ato de desagravo foi realizado nesta segunda em frente ao Fórum de Duque de Caxias Fernando Frazão / Agência Brasil
O fórum teve as portas fechadas, o que deixou os advogados ainda mais inconformados Fernando Frazão / Agência Brasil
A cena do último dia 10 foi gravada e viralizou na Internet Fernando Frazão / Agência Brasil
A advogada foi detida e algemada no último dia 10, dentro do fórum, durante uma audiência, a pedido de uma juíza leiga Fernando Frazão / Agência Brasil
A manifestação atraiu advogados e militantes defensores das causas raciais e dos direitos das mulheres Fernando Frazão / Agência Brasil

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