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Adolescente morto por bala perdida na Penha é enterrado no Caju

Familiares e amigos, emocionados, se despediram do estudante, atingido ao fechar a janela do quarto

Por *Luana Dandara

Estudante vítima de bala perdida foi enterrado no Caju ontem
Estudante vítima de bala perdida foi enterrado no Caju ontem -

Rio - O adolescente Wanderson Santos, de 16 anos, morto por bala perdida na manhã de sábado, foi enterrado nesta segunda-feira no Cemitério do Memorial do Carmo, no Caju. Ele estava na casa de tios, no Morro da Fé, na Penha, quando foi atingido ao fechar a janela do quarto. 

“Ouvimos alguns disparos e ele foi fechar a janela quando foi baleado. Eu perguntei ‘Wanderson, pegou?’ e ele disse ‘pegou’. Foi a última palavra dele, logo depois ele caiu”, contou no enterro a amiga Marcele Fernandes, de 16 anos, que estava no momento do incidente. Segundo ela, os dois estavam em companhia do primo do jovem, um menino de 12 anos. Levado por parentes ao Hospital Getúlio Vargas, a vítima já chegou sem vida à unidade de saúde. “Tínhamos acabado de acordar. Ficamos com medo agora até de ficar em casa”, disse Marcele, emocionada. 

Aluno do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Miguel Ângelo, Wanderson foi sepultado sob forte comoção de cerca de 70 familiares e amigos, sendo muitos jovens que estudavam com ele. Uma bandeira do Flamengo, clube para o qual torcia, foi estendida em cima do caixão. "Volta para casa, filho. Wanderson, acorda" disse, extremamente abalado, Edvaldo Santos, pai do adolescente. 

Tia e dona da casa onde ele estava ao ser atingido, Ana Cristina Pereira, de 41 anos, disse que estava no trabalho quando recebeu a notícia que Wanderson veio a óbito. "Meu marido já pegou ele morto na sala, estamos com o coração ensanguentado. Ele foi só mais um porque ninguém faz nada, estamos jogados. Só queremos paz", declarou ela. "Wanderson sempre ficava lá em casa, e nesse dia foi fatal". 

Colegas de classe e parentes do adolescente, que usaram uma camisa com a foto do rapaz em que estava escrita "saudades eternas", contaram que ele estava ansioso pela formatura e era querido por todos. Uma estudante de 14 anos que não quis se identificar afirmou, chorando, que morava próximo de Wanderson e ouviu o tiroteio. "Nunca será o último. Vivemos uma guerra". Mãe de duas meninas que estudavam com o jovem e vizinha dele, Simone da Silva, de 34 anos, acrescentou que a comunidade, na Penha, tem tiroteios frequentes, e inclusive foi acordada hoje por disparos às 5h20. "É uma guerra sem fim que nós, moradores, pessoas do bem, estamos pagando. Era um ótimo filho, um ótimo aluno e foi alvejado", afirmou. 

De acordo com a Polícia Militar, agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fé/Sereno estavam, na manhã de sábado, baseados na localidade conhecida como Lixeira quando criminosos dispararam."Não houve revide por parte dos policiais", ressaltou a corporação. A Delegacia de Homicídios (DH) investiga o caso. 

Na última semana, além de Wanderson, outros dois jovens foram mortos por bala perdida em confrontos entre criminosos e policiais militares. Na quinta-feira, Thiago de Souza Mendonça, de 14 anos, foi atingido por um tiro de fuzil enquanto brincava na Cidade de Deus, por volta de meia-noite. No domingo, um adolescente de 17 anos foi baleado na cabeça em Manguinhos, quando bandidos atacaram a base da UPP. De acordo com vizinhos, ele é morador da região e estava bebendo com amigos durante o confronto. 

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

 

 

 

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