Segurança nega 'mata-leão' e diz que jovem morto estava 'simulando' desmaio

Em depoimento, Davi Ricardo Moreira Amâncio, que pagou R$ 10 mil de fiança e responderá por homicídio culposo em liberdade, relata que ficou fazendo peso em cima de Pedro Henrique Gonzaga e não saiu porque "percebeu que ele estava simulando"

Por MARIA INEZ MAGALHÃES

Davi Ricardo Moreira Amâncio foi filmado dando um 'mata-leão' em Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga
Davi Ricardo Moreira Amâncio foi filmado dando um 'mata-leão' em Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga -

Rio - Após pagar fiança de R$ 10 mil, o segurança Davi Ricardo Moreira Amâncio foi posto em liberdade. Em depoimento na Delegacia de Homicídios (DH-Capital), ele negou que tenha dado um mata-leão em Pedro Henrique Gonzaga, permanecendo apenas com seu peso por cima dele para contê-lo até a polícia. Ele também disse que o jovem tentou pegar sua arma e que chegou a conclusão que o mesmo "simulava" desmaio, para que ele o soltasse. 

Davi negou que seja praticante de luta e contou que trabalha na empresa Groupe Protection há um ano e quatro meses. Segundo o depoimento, a ação começou às 12h30 quando Davi estava na entrada principal do mercado. Ele havia começado a trabalhar meia hora antes. O segurança conta que, sem motivo aparente, Pedro correu em sua direção, e que ele pediu ao garoto que não se aproximasse, esticando o braço para evitar que ele chegasse perto. Porém, de acordo com o relato, Pedro se jogou no chão e começou a se debater. Davi disse que achou que a vítima estivesse passando mal e que prestou os primeiros socorros colocando a vítima deitada de lado, mas "percebeu que ele estava simulando e que não tinha nenhum problema".

Ainda de acordo com o depoimento, o segurança relatou que o jovem se levantou e outro segurança, identificado como Edmilson Felix, se aproximou em reforço. No depoimento, Davi disse que a mãe da vítima, Dinalva Santos de Oliveira, se aproximou dizendo que o filho era usuário de droga e que, nesse momento, Pedro "teve um ataque de fúria contra ele e que ambos caíram no chão, sendo que ele caiu em cima de Pedro". O acusado conta que nessa hora o coldre onde estava a sua arma arrebentou e que Pedro chegou a pegá-la, "ameaçando matar as pessoas". O segurança disse que Pedro estava muito nervoso e gritava "vou matar! vou matar". A vítima, de acordo com o segurança, foi contido por Edmilson, que conseguiu tirar a arma dele.

Davi disse, ainda, que permaneceu por cima do jovem para contê-lo e que, durante esse período, Pedro "simulou alguns desmaios e voltava a se debater", mas que ele tinha a intenção de contê-lo até a chegada da polícia, e que só o soltou quando achou que ele não estava mais fazendo força, porém achou que Pedro estava o enganando para se livrar dele, como havia feito anteriormente.

Uma testemunha amiga da família afirmou, em depoimento, no dia do fato, que Dinalva entrou em contato com ela para informar que seu filho tinha usado drogas e que precisava de ajuda para levá-lo para a internação em uma clínica de reabilitação. Mas, como Dinalva não apareceu no horário combinado, a procurou e ficou sabendo da morte de Pedro. Ela contou ainda que Dinalva disse que o filho teve um surto e partiu em direção ao segurança, que ambos entraram em luta corporal, que em dado momento a arma do segurança ficou no chão perto do seu filho e que teria alertado aos demais para que não deixassem seu filho pegar a arma.

As imagens registradas em vídeos enviados ao WhatsApp do DIA (98762-8248) mostram que pessoas no entorno alertavam para a gravidade do caso. "Está desmaiado, não está não?", indagou alguém. "Está sufocando ele", disse uma mulher. "Ele está com a mão roxa", constatou outra pessoa. O segurança, no entanto, não soltou o pescoço do jovem e disparou: "Cala a boca".

O Extra voltou a se posicionar nesta sexta-feira sobre o episódio, lamentando o episódio e reafirmando que os envolvidos foram "definitivamente afastados" e que "não aceita qualquer ato de violência". Agora, o  hipermercado classificou o caso como "um grave".

"A rede não vai se eximir das responsabilidades diante do ocorrido, sendo o maior interessado em esclarecer a situação o mais rapidamente possível. Desta forma, está colaborando com as autoridades e contribuindo com todas as informações disponíveis. A companhia instaurou uma sindicância interna para acompanhamento junto à empresa de segurança e aos órgãos competentes do andamento das investigações. O Extra continuará contribuindo com a apuração e assegura que tomará todas as medidas cabíveis tendo em vista o resultado da investigação. Acrescentamos que, independentemente do resultado da apuração dos fatos, nada justifica a perda de uma vida e a companhia se solidariza com os familiares e envolvidos", diz parte da nota.

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