'O usuário navega sem deixar rastros', diz delegado de especializada que investiga crimes na internet

Titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, Delegado Pablo Sartori também fala sobre massacre em Suzano (SP)

Por Bernardo Costa

Uma pessoa é socorrida, após tiroteio ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil: revólver, besta e machado usados no ataque
Uma pessoa é socorrida, após tiroteio ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil: revólver, besta e machado usados no ataque -

Rio - Delegado Pablo Sartori, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), concedeu entrevista ao DIA para falar sobre investigações envolvendo internautas que participam de fóruns de propagação de ódio, violação de direitos humanos, homofobia e misoginia. Restrito, ambiente online não deixa vestígios, graças ao uso de um navegador. 

Há inquéritos na DRCI para investigar grupos da deep web?

Sim. Temos inquéritos em andamento para investigar pessoas que se organizam na deep web para cometer crimes de pedofilia e de estelionato. Esse grupos são fechados. E o acesso a eles se dá por um link que os membros compartilham entre si. Por isso, é muito difícil descobrir esses grupos para nos infiltrarmos.

Quais as outras dificuldades?

Os crimes acontecem com mais intensidade na deep web porque nela quase não há controle de acesso. O usuário navega sem deixar rastros. É difícil identificar as pessoas e a localização dos computadores.

Já tiveram êxito na investigação de algum grupo?

Tivemos sim. Investigamos um grupo na deep web que disseminava ódio contra negros e citava, inclusive, personalidades como a atriz Taís Araújo. Fizemos uma operação e prendemos um grupo de pessoas. Logo depois, o grupo se desfez.

Há quantos grupos que disseminam ódio e incentivam a prática crimes na deep web no Rio?

Não há como segmentar isso. Há milhares de grupos na deep web em todo o mundo. Mas, para saber quais incitam o crime, é preciso entrar nesses grupos. É isso só é possível recebendo o link de acesso de algum membro.

Como esse grupos funcionam?

Muitos são criados para o cometimento de crime. Mas há casos de grupos criados por adolescentes para falar de um jogo de videogame violento, por exemplo. Aí, entram integrantes que começam a desvirtuar o grupo, incitando o ódio. Algumas pessoas saem do grupo, outros entram, e aquele grupo que não era inicialmente voltada para uma atividade criminosa, passou a ser. Outro ponto é o seguinte: não necessariamente nesses grupos todos têm uma mesma vontade consciente de atuar no crime. Muitas vezes, há debates em que eles expressam suas opiniões de ódio e um ou outro integrante do grupo, como aconteceu em São Paulo, resolve agir, sem que tenha havido um chamado do grupo para isso. Embora exista o incentivo. Por exemplo, posteriormente ao crime, os membros aplaudem no grupo, e enaltecem quem teve coragem de agir, o que acaba servindo de incentivo para o cometimento dos crimes.

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