Hoteleiros de paraíso turístico se unem e retiram um caminhão de lixo do mar

Entre o material recolhido na água, a carcaça de um micro-ondas e embalagem de creme dental que já saiu de linha há 20 anos

Por FRANCISCO EDSON ALVES

Mutirão de empresários e moradores recolheu mais de 100 sacos de lixo na Enseada de Bananal, na Ilha Grande
Mutirão de empresários e moradores recolheu mais de 100 sacos de lixo na Enseada de Bananal, na Ilha Grande -

Rio - Empresários do ramo hoteleiro estão dando um bom exemplo em Angra dos Reis, na Costa Verde. Eles se uniram para limpar, com apoio de voluntários,  as areias das praias locais e até o fundo do mar. Só neste domingo, por exemplo, pelo menos 40 deles retiraram  um caminhão de lixo, aproximadamente, da Enseada de Bananal, um dos três pontos turísticos mais importantes da Ilha Grande.

Mergulhadores profissionais ajudaram na ação, batizada de `Bananal Limpo, eu Apoio´, e acabaram encontrando até a carcaça de um micro-ondas no fundo do mar. O mutirão recolheu anida na região, embalagem de creme dental fora de linha há pelo menos 20 anos, latas de cerveja e refrigerantes, garrafas pet, restos de redes de pescadores, pontas de cigarro, canudos, sacolas plásticas, chapas de Raio X, copos e pratos de plásticos e muito cacos de vidro.

 

Mergulhadores retiram carcaça de micro-ondas do mar na Enseada de Bananal, em Angra dos Reis - Divulgação: Anderson Ramos

De acordo com a empresaria Roberta Nakamashi, da Pousada do Preto, idealizadora da iniciativa, a ideia do mutirão é conscientizar empresários, moradores e turistas, sobre o papel de cada um em relação à consciência ambiental. "O lixo que chega ao mar é o resultado do nosso consumo desenfreado. Se continuarmos com o descarte irregular, em poucos anos os oceanos terão mais plásticos do que peixes”, justifica Roberta.

Ao todo, foram recolhidos mais de 100 sacos de lixo. "Nos incentivou para que a campanha tenha continuidade", garante a empresária, lembrando que, a poluição trás prejuízos para o meio ambiente, para o ser humano e principalmente para os animais marinhos.

Integrantes do grupo lembram que ações desse tipo são primordiais, já que no Brasil, são produzidas diariamente cerca de 240 mil toneladas de lixo, mas apenas 2% desse total é encaminhado para a reciclagem. "A quantidade é irrisória, levando em consideração o tempo que se leva para a natureza leva para a decomposição das diferentes formas de lixo", alertou o mergulhador André Almeida.

Estudos ambientais indicam que  o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos, ou mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, deverão se despejados quase 26 mil garrafas de plástico no mar a cada quilômetro quadrado, conforme  revela pesquisa conduzida pelo WWF (Organização não governamental Internacional).

Além da Pousada do Preto, também participaram do mutirão as pousadas Okinawa, Casa Nova,  Três Coqueiros, e Satiko, com apoio do Gupo Latitude 22 “Doidos por Mar”, Mercadão dos Óculos, Chapinha do Sindicato, Mídia Oficial e Rádio Costa Azul FM.

Tempo de decomposição de alguns materiais

Jornal - 2 a 6 semanas

Embalagens de papel - 1 a 4 meses

Pontas de cigarro - 2 anos

Palito de fósforo - 2 anos

Chiclete - 5 anos

Cascas de frutas - 3 meses

Copinhos de plástico - De 200 a 450 anos

Latas de alumínio - De 100 a 500 anos

Tampinhas de garrafa - De 100 a 500 anos

Pilhas e baterias - De 100 a 500 anos

Garrafas de plástico - Mais de 500 anos

Pano - De 6 a 12 meses

Vidro - Tempo indeterminado

Madeira pintada - 13 anos

Fralda descartável - 600 anos

Pneus - Tempo indeterminado

 

 

 

Galeria de Fotos

Mutirão de empresários e moradores recolheu mais de 100 sacos de lixo na Enseada de Bananal, na Ilha Grande Divulgação/Anderson Ramos
Mergulhadores retiram carcaça de micro-ondas do mar na Enseada de Bananal, em Angra dos Reis Divulgação: Anderson Ramos

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