Vânia exibe com orgulho a fase boa de trabalho do filho Igor. Hoje a família luta para recuperar o rapaz - Marcio Mercante / Agencia O Dia
Vânia exibe com orgulho a fase boa de trabalho do filho Igor. Hoje a família luta para recuperar o rapazMarcio Mercante / Agencia O Dia
Por ADRIANA CRUZ

Rio - A artesã Vânia Menezes, de 56 anos, ainda carrega com orgulho o álbum com fotos de campanhas internacionais do filho, na época modelo de grandes marcas, Igor Menezes Augusto, hoje com 33 anos. Os tempos de bons trabalhos, lá pelos idos de 2012, ficaram para trás, depois de um encontro do rebento com Antônio José de Barros Savino, em 2015. Igor foi mais uma vítima de Savino, especialista em arregimentar nas redes sociais quem sonhava com a fama. Para isso, usava falsos projetos com promessa de estrelato no mundo da música e da televisão. E os sonhos dos recrutados acabaram em cárcere privado, transferência de recursos para o farsante, sendo que a maioria lida até hoje com o vício em drogas.

Como O DIA mostra desde terça-feira o estrago do golpe da fama nas famílias, Savino está preso e foi condenado a mais de 32 anos de prisão. Ele contava com a ajuda de Maycon Rodrigo da Cunha, foragido da Justiça, e punido com mais de três anos de detenção. "Igor conheceu o Savino tocando em uma festa na Barra. Eles fizeram uma lavagem cerebral no meu filho, que nunca mais se recuperou. Há pouco tempo, saiu de uma clínica de recuperação de drogados e, até serem publicadas as reportagens sobre o Savino, ele pensava que tudo poderia ser verdade", contou Vânia.

Medo de represália

Apesar da prisão de Savino, Vânia disse que tem medo de represália, porque ele dizia que recorreria a um policial especialista em dar surras. O terror psicológico era tão grande que os jovens eram proibidos até de ter namoradas, e todos os contatos que faziam eram monitorados. "O Maycon continua solto", desabafou. Savino controlava cada passo das vítimas por WhattsApp, Facebook, Orkut e obrigou o grupo, de pelo menos 15 jovens, a entregar senhas e cartões de banco. Os rapazes eram drogados e obrigados a fazer sexo com Savino. "A maior sequela para o Igor foi em relação aos falsos medicamentos. O Savino deu superdosagens de drogas como se fossem remédios", lembrou Sharon Ronch, amiga de Igor.

Para proteger o filho, Vânia alega que foi obrigada a interditá-lo judicialmente. "Quero jogar luz sobre essa história, porque meu filho pirou com as armações do Savino e do Maycon", disse.

Falso projeto de R$ 100 mil

Com lábia e domínio das redes sociais, Savino escolhia a dedo jovens do interior de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina que sonhavam com a fama no Rio. Na internet, apresentava falso currículo como empresário de 400 famosos. Publicava matérias fakes sobre o sucesso dos jovens em propagandas de empresas e projetos fictícios em novelas de emissora de TV, mas confinava os rapazes em uma casa e apartamento na Zona Oeste.

Só a mãe de uma das vítimas deu para o golpista R$ 500 mil, resultado da venda de uma casa, parte de indenização trabalhista, aposentadoria do INSS e dois carros, além de alugar um apartamento no Recreio para que o filho fosse um cantor de sucesso. Para cortar o vínculo entre mãe e filho, Savino disse que o jovem estava viciado em drogas. Na verdade, usava medicamentos, tratados como vitaminas, para garantir sexo com o rapaz.

Savino era dono das empresas Stage e A.J. Holding. Vítimas contaram que ele montava falsos projetos sigilosos com salários fictícios de até R$ 100 mil.

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