Moradores do Vidigal e da Chácara do Céu reclamam de interdição da Niemeyer

Fechamento causa transtornos para cerca de 12 mil pessoas das duas comunidades

Por RAFAEL NASCIMENTO

Interrupção compromete serviço de transportes e pode acarretar o desabastecimento de alimentos e produtos nas duas comunidades
Interrupção compromete serviço de transportes e pode acarretar o desabastecimento de alimentos e produtos nas duas comunidades -
Rio - Moradores do Vidigal e da Chácara do Céu estão apreensivos com os efeitos da interdição total da Avenida Niemeyer, determinada nesta terça-feira pelo Tribunal de Justiça (TJ), após pedido do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ). Segundo eles, o fechamento, além de causar transtornos nos deslocamentos, poderá comprometer o abastecimento de alimentos e produtos básicos nas duas comunidades.
Para evitar o pior, eles já começaram a colher assinaturas para um abaixo-assinado propondo que só parte da via, entre São Conrado e Vidigal, seja fechada para obras. Os moradores também sugerem que a prefeitura, durante a interdição, disponibilize vans entre a entrada do Vidigal e a estação de metrô Antero de Quental, no Leblon.
"Todos serão afetados com o fechamento. Tem gente daqui que terá que pagar até quatro passagens por dia. Quem vai pagar a conta? No fim do mês é um valor assustador", reclamou o fotógrafo Daniel Delmiro, que mora no Vidigal.
Uma das moradores mais antigas da comunidade, dona Ozidete Alves da Silva, 73 anos, lembra que deixou de sair de casa por conta das últimas interdições e até perdeu exame médico na Associação Brasileira Beneficentes de Reabilitação (ABBR), no Jardim Botânico. "Faço tratamento para coluna e joelho. No dia que eles fecharam tudo, não consegui ir. Com a minha idade, já não consigo fazer as coisas a pé", contou.
Valdineia, com o marido e netas, volta para casa após interdição - Cléber Mendes
A interdição pegou a família de Valdineia da Costa de surpresa. Cadeirante, ela voltava do supermercado, em Copacabana, e precisou descer do ônibus no Leblon. "A gente se sente desfavorecida, desprezada. Parece que a gente não tem valor nenhum", reclamou.
Comerciantes do Vidigal já começam a sentir a falta de produtos. Segundo eles, muitas empresas já não estavam entregando mais lá desde as primeiras interdições, por medo de que seus caminhões ficassem retidos em caso de fechamento repentino da via.
O comerciante Marcos André diz que donos de estabelecimentos estão preocupados com perda de receita - Daniel Castelo Branco
É o que diz Marcos André, dono de uma loja de material de construção: "Agora há pouco um representante comercial me ligou e disse que não vão mais entregar. Todos estão apavorados. Não sabemos o que será a partir de agora".
Segundo o presidente da Sociedade de Engenharia de Segurança do Estado do Rio, Ricardo Viegas, o ideal seria fechar o trecho após o Vidigal. "Assim, evita problemas para a saída dos moradores. Após o fechamento parcial tem que ser feito estudo geotécnico detalhado da contenção de encosta. Não adiantam medidas paliativas", concluiu.
Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes informou que com o fechamento da Niemeyer, as 13 linhas de ônibus e uma de van seguirão pela Autoestrada Lagoa-Barra. O prefeito Marcelo Crivella informou que vai recorrer da decisão. "Vamos a uma instância superior para tentar cassar a liminar e o povo poder usar a
avenida", afirmou.
Colaborou o estagiário Felipe Rebouças
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