Polícia conclui que professora desaparecida ao sair de casa no Alemão foi morta pelo marido

Tamires Cristina Bandeira foi morta por Reinaldo da Silva Bandeira e seu corpo ficou na casa por três dias, até ser retirado pelo pai do assassino. 'É dissimulado e tentou atrapalhar investigações', diz Elen Souto, da Delegacia de Descoberta de Paradeiros

Por RAFAEL NASCIMENTO

Tamires com Reinaldo: inquérito concluiu que ele assassinou a esposa, ocultou cadáver com a ajuda do pai e forjou desaparecimento
Tamires com Reinaldo: inquérito concluiu que ele assassinou a esposa, ocultou cadáver com a ajuda do pai e forjou desaparecimento -
Rio - A Polícia Civil concluiu que a professora Tamires Cristina Costa Bandeira, de 27 anos, dada como desaparecida há um ano após sair de casa no Complexo do Alemão, foi morta pelo próprio marido, Reinaldo da Silva Bandeira. Segundo a investigação, o crime foi cometido após ele descobrir uma mensagem amorosa no telefone da vítima, que foi assassinada dentro de casa e o corpo ficou por três dias na residência do casal antes de ser ocultado. Os restos mortais da mulher nunca foram encontrados.

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Tamires Cristina Bandeira foi morta por Reinaldo da Silva Bandeira Reprodução / Facebook
Tamires Cristina Bandeira foi morta por Reinaldo da Silva Bandeira Reprodução / Facebook
Tamires Cristina Bandeira foi morta por Reinaldo da Silva Bandeira Reprodução / Facebook
Tamires Cristina Bandeira foi morta por Reinaldo da Silva Bandeira Reprodução / Facebook
Tamires com Reinaldo: inquérito concluiu que ele assassinou a esposa, ocultou cadáver com a ajuda do pai e forjou desaparecimento Reprodução
Reinaldo em protesto cobrando a investigação da polícia: DDPA diz que ele tentou atrapalhar o trabalho investigativo Reprodução Record TV
Reinaldo deu entrevistas na época: no pescoço, marca da briga que teve com a mulher no dia que teria ocorrido o crime Reprodução Record TV
Tamires com Reinaldo: inquérito concluiu que ele assassinou a esposa, ocultou cadáver com a ajuda do pai e forjou desaparecimento Reprodução
Para os policiais, ao contrário do que contou o marido à polícia, Tamires nunca saiu de casa para fazer exames médicos no Cachambi, muito menos para trocar roupas para o filho em Madureira. A história foi inventada pelo homem para que as investigações fossem confundidas e atrapalhadas. A denúncia foi aceita pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e aguarda da decisão da justiça sobre o mandado de prisão de Reinaldo e seu pai, que ajudou a ocultar o corpo. 
Segundo a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), houve uma discussão no dia do crime, 23 de junho, e a professora foi morta dentro de casa e o corpo teria ficado na residência do casal por três dias, até ser retirado por Reginaldo dos Santos Bandeira, pai do assassino, que ocultou o corpo. A briga foi motivada por uma mensagem de um outro homem no celular da vítima.
"Esse crime foi uma falta de respeito como a vítima. Ela foi morta de forma cruel e não teve direito de ter um enterro digno. Eles sumiram com o corpo dela, que até hoje não foi encontrado", disse a delegada Elen Souto, titular da DDPA.
O inquérito, ao qual O DIA teve acesso, aponta que Reinaldo teria deixado o corpo da professora em um dos quartos e se escondeu em casa para que vizinhos e parentes não o visse. O crime pode ter sido cometido em um cômodo ao lado de onde estava o filho do casal que tinha apenas três anos de idade, no dia do crime. Por três dias, o corpo de Tamires teria ficado na casa.
De acordo com a DDPA, no domingo, 25 de junho, o marido da vítima ligou para o pai, Reginaldo dos Santos Bandeira, pedido ajuda para esconder o corpo. Segundo o relatório da Polícia Civil, na madrugada da segunda-feira, dia 26, Reginaldo saiu do Engenho da Rainha, onde mora, e foi ao local do crime em um carro e teria ajudado o filho a retirar o corpo da professora.
A Polícia Civil concluiu pelo crime de feminicídio após verificar imagens de câmeras, depoimentos de testemunhas e também quebrar o sigilo telefônico dos envolvidos. "As investigações continuam e temos certeza que foi feminicídio com a ocultação do corpo de Tamires", disse a delegada Ellen Souto, titular da DDPA.
'Última pessoa que desconfiávamos', diz familiar da vítima
Todas as vezes que Reinaldo foi à DDPA ele se mostrou tranquilo e pediu detalhes da investigação. A última vez que ele esteve na especializada foi no último dia 3 de janeiro. O homem comunicou aos investigadores que havia saído da comunidade e que estava morando na Pavuna, Zona Norte da cidade.
"O Reinaldo é dissimulado e tentou atrapalhar as investigações vindo depor e tendo interesse em quem estava vindo testemunhar. Ele tentou atrapalhar e inviabilizar as investigações", disse a delegada. 
O DIA conversou com um familiar da professora. Segundo a pessoa que pediu anonimato, Reinaldo saiu da comunidade poucos dias após o crime. "Ele foi morar com a avó. Logo em seguida veio e levou o filho com a desculpa de que a criança tinha que acostumar lá. Não tivemos a chance de impedir porque ele é o pai, né, e ele não deixou o menino ficar aqui", lembrou.
Questionada se os parentes suspeitavam de algum tipo de desentendimento entre o casal a pessoal é enfática. "Eles nunca brigaram na nossa presença. Nunca houve uma discussão sequer. Se ele for o culpado ele tem que pagar. O que nos surpreende é que ele é a última pessoa que desconfiávamos", completou.
Reinado em protesto cobrando a investigação da polícia: DDPA diz que ele tentou atrapalhar o trabalho investigativo - Reprodução Record TV
Vizinha enquanto corpo estaria na casa
Um dos depoimentos à DDPA consta de uma testemunha que esteve no dia 25 de junho casa do casal e Reinaldo teria dito que queria ficar sozinho. Ainda segundo a pessoa, no dia anterior o homem teria lavado a cozinha da casa. A depoente afirmou ainda que isso teria chamado sua atenção, já que não era de costume Reinaldo fazer faxina.
A mulher disse também que notou uma pá dentro do quarto do casal e indagou o Reginaldo sobre o instrumento. A resposta era que ele estaria fazendo obras no quarto. Entretanto, a mulher disse que estranhou a situação e não teria acreditado na desculpa.
No dia 10 de julho do ano passado, a DDPA, com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do casal. Naquela data, uma perícia foi feita com luminol e buscas foram feitas nos arredores da comunidade. Foram encontros vestígios de sangue na casa que eram compatíveis com a vítima.
Suspeito deu entrevistas para jornais
Dias após o desaparecimento e fazer o registro na Cidade da Polícia, Reinaldo — que estava com marcas de unhas no pescoço — chorou e disse que a mulher havia saído de casa para fazer um exame no Cachambi e em seguida iria a um encontro em Madureira para trocar roupas para o filho. Depois disso, ele disse que ela não teria mais atendido aos telefonemas. O homem confessou que eles haviam brigado um dia antes mas que a discussão "era algo comum de casal". "Tem discussões normais, isso me entristece, mas é tranquilo", disse na época.
Para a delegada, o homem teria tentado atrapalhar as investigações. "Todas as informações que a família recebia vinha por parte do Reinaldo. Acreditamos que ele queria ficar perto dos familiares para se passar como inocente", contou a delegada Elen Souto.
O marido da professora também contou que a mulher teria sido abordada por um homem em Pilares que a teria assediado. No entanto, segundo ele, a mulher não tinha aceito as investidas e que o tal homem teria jogado o carro contra ela — que quase foi atropelada. Reinaldo também falou sobre ameaças que ela estava sofrendo de uma outra mulher. "Vou te pegar. Você está dando confiança para o meu marido e vou te esculachar", narrou o suspeito, sobre o que a mulher teria falado ao telefone para Tamires.
Reinaldo deu entrevistas na época: no pescoço, marca da briga que teve com a mulher no dia que teria ocorrido o crime - Reprodução Record TV

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