Violência assombra alunos e professores no estado

Aumento de confrontos em áreas escolares prejudica rendimento nas escolas do estado

Por O Dia

Crianças, na saída de escola na Vila do João, na Maré, correm durante tiroteio: este ano já houve 1.410 casos
Crianças, na saída de escola na Vila do João, na Maré, correm durante tiroteio: este ano já houve 1.410 casos -

Rio - Quase um ano após a morte de Marcus Vinícius da Silva, de 14 anos, baleado a caminho da escola, no Complexo da Maré, a violência continua assombrando alunos e professores no estado. Nos primeiros cinco meses deste ano, 1.410 tiroteios (envolvendo ou não policiais) foram registrados perto de creches e colégios, e seis pessoas foram baleadas dentro ou nas imediações de estabelecimentos de ensino, segundo dados do site Fogo Cruzado. Especialistas explicam que os dados têm influência no baixo desempenho escolar.

No resultado do Programa Conhecer, diagnóstico da rede estadual de ensino fluminense, a média das notas em português, por exemplo, ficou em 5,5; já matemática foi de 2,8, de um total de 10 pontos. A avaliação, divulgada pelo RJTV, da Rede Globo, foi aplicada, em abril, a alunos do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.

"É preciso urgência na elaboração de um plano especial pelas secretarias de Educação e de Segurança para garantir a segurança de professores e alunos. Podem colocar os melhores docentes, mas se as condições de aprendizagem não mudarem, não haverá melhora. A educação no Rio está estagnada", argumentou a educadora Andrea Ramal.

Mais tiroteios

Em relação a tiroteios envolvendo agentes de segurança, no perímetro de 300m de escolas e creches da rede pública e privada, nos cinco primeiros meses deste no, o número cresceu 54% em relação a mesmo período de 2018. Foram 453 confrontos, contra 294 no ano passado.

O Rio foi o município com maior número de registros em áreas escolares: 953, seguido de São Gonçalo (125), Belford Roxo (93), Niterói (77) e Duque de Caxias (59). A Vila Kennedy foi o bairro que concentrou o maior número desse tipo de ocorrência no Grande Rio este ano, 70 no total.

Em seguida vem o bairro da Tijuca (54), Complexo do Alemão (52), Cidade de Deus (49) e Praça Seca (42). O Complexo da Maré ficou na 20ª posição do ranking de tiroteios no entorno de creches e colégios, mas concentrou o maior número de vítimas: 15 baleadas, sendo 10 mortes.

"A longo prazo, a insegurança e a violência prejudicam muito a carreira escolar, influenciando, por exemplo, na evasão dos estudantes", afirmou Edson Diniz, diretor da ONG Redes da Maré.

"Há falta de infraestrutura, pouco recurso didático e os professores têm pouca perspectiva na carreira, não são motivados. Tanto que quase todo ano há greve de professores", avalia Andrea Ramal. "Os números não surpreendem e a Secretaria de Educação deve começar desde já aulas de reforço. A educação tem pressa", acrescentou.

Reforma de escola

Ontem, o governador Wilson Witzel e o secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, anunciaram a reforma e ampliação do Colégio Estadual Paulo de Frontin, no Rio Comprido. A expectativa do projeto é atender mais 960 alunos por ano. "Vamos fazer o mesmo em todas as nossas escolas, para tratar com respeito nossos professores e nossos alunos", pontuou Witzel. As obras, de cerca de R$ 7 milhões, devem ser finalizadas até o fim deste ano.

 

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