Milicianos cobram taxas de funcionários contratados pelo Comperj, diz promotor

Sob influência de Orlando Curicica, quadrilha conta com mulheres na parte financeira do bando

Por RAFAEL NASCIMENTO

O promotor do Gaeco, Rômulo Santos Silva
O promotor do Gaeco, Rômulo Santos Silva -
Rio - A atuação da milícia de Itaboraí vai muito alem da extorsão de moradores e comerciantes da região. De acordo com o Ministério Público estadual (MPRJ), o grupo paramilitar aproveita a influência e o domínio que exerce no município da Região Metropolitana do estado para atuar também nas obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).
"Eles cobram taxas em vários serviços, inclusive no transporte de vans que levam funcionários para as obras e também têm essa ponte de quem for contratado para que pague uma taxa para eles", conta o promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco), Rômulo Santos Silva. De acordo com o MP, o funcionário contratado tinha que pagar uma taxa do primeiro salário para os milicianos. Não se sabe qual era o valor.

Os investigadores vão apurar se funcionários de empresas que fazia a recruta para o Comperj informava aos milicianos sobre quem havia sido contratado.
Em nota, a Petrobras disse não ter identificado qualquer tentativa de extorsão promovida por grupos criminosos no Comperj. "A companhia, por meio de sua área de segurança corporativa, atua em conjunto com os órgãos de segurança pública e reporta a estes órgãos qualquer tipo de ocorrência de segurança".
A milícia é alvo da Operação Salvator, que a Polícia Civil realiza nesta quinta-feira. São mais de 70 mandados de prisão e cerca de 90 de busca e apreensão contra integrantes do grupo, que funciona como uma "franquia" do miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, no município.
"Iniciamos a investigação em meados do ano passado, quando tivermos informações sobre a organização criminosa. Ela se aprofundou com a prisão de dois integrantes do bando e com a apreensão do celular de um deles, quando conseguimos identificar outros alvos", afirma o promotor.
Material apreendido na ação - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
CELULAR APREENDIDO
O episódio em questão foi quando dois integrantes do grupo paramilitar, um PM e um miliciano identificado como Chambinho, se envolveram em um crime. Chambinho foi baleado e foi preso em flagrante quando foi socorrido em um hospital do município.
"No celular dele conseguimos identificar a interlocução entre os elementos da organização, práticas comuns que eles faziam, que era executar traficantes, tomar o local de traficantes e extorsões, e assim iniciamos a investigação", Rômulo detalha.
O promotor diz que a atuação de Orlando Curicica no grupo começou a diminuir quando ele foi transferido para um presídio federal em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em junho do ano passado. No entanto, Curicica continuou exercendo influência no bando.
"Ele deixou o Renatinho (Renato Nascimentos dos Santos, o Natan ou Renatinho Problema) até dezembro no comando (da milícia), pelo menos quando ele foi preso. Os sucessores também estavam sob comando do Renatinho Problema e indiretamente dele (Orlando)", explica.
Operação foi desencadeada pela DHNSGI - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
MULHERES NA MILÍCIA
De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa tem funções bem definidas, como donos, lideranças, gerência, matadores, recolhedores, soldados e olheiros. O grupo começou a se instalar em Itaboraí no final de 2017 e início de 2018, quando aconteceram os primeiros crimes praticados pelo eles, tais como a cobrança das "taxas de segurança" e "gatonet", especialmente nas áreas de Visconde de Itaboraí, Areal e Porto das Caixas.
O bando também conta com mulheres em seus quadros. Ela cuidam, principalmente da parte financeira. 
"As mulheres fazem principalmente as funções de 'recolhedoras', o que a gente chama, das taxas de extorsão, de segurança... elas são utilizadas para não chamar tanto a atenção das forças de segurança, mas sempre andam, fazendo o recolhimento desses valores, escoltadas por homens armados da própria organização", Rômulo esclarece.
Material apreendido na ação - Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
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O promotor do Gaeco, Rômulo Santos Silva Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Material apreendido na ação Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Operação foi desencadeada pela DHNSGI Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Material apreendido na ação Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Cerca de 300 policiais, além de integrantes do Ministério Público, participaram da Operação Salvator. Durante a ação foram apreendidos documentos e armas Reginaldo Pimenta
Obras paradas do Comperj causaram prejuízo de R$ 14 bilhões Divulgação

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