Oficial da PM é investigado por liderar esquema de extorsão de traficantes

Caso veio à tona após a morte do chefe do tráfico da comunidade Pereirão, na tarde deste domingo

Por GUSTAVO RIBEIRO E RAFAEL NASCIMENTO

Um táxi foi parado para socorrer o PM ferido no Souza Aguiar
Um táxi foi parado para socorrer o PM ferido no Souza Aguiar -
Rio - As polícias Civil e Militar investigam um esquema de extorsão de traficantes, que estaria sendo comandado por um tenente do 5º BPM (Praça da Harmonia). O esquema do oficial e de outros policiais militares veio à tona na tarde deste domingo, após dois PMs matarem o chefe do tráfico da comunidade Pereirão, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, Leonardo Andrade da Silva, o Léo Bracinho, de 28 anos.
Por causa do incidente, os cabos Leonardo José Camacho, lotado na UPP Andaraí, e Daniel da Silva de Lima, do 7º BPM (São Gonçalo), foram presos em flagrante. O confronto aconteceu pouco depois das 16h quando eles abordaram o traficante em Santa Teresa, de olho em uma grande quantidade de dinheiro que ele carregava.
Informações obtidas pelo DIA revelam que os dois cabos, que estavam de folga, se esconderam em um condomínio que fica na Avenida Almirante Alexandrino, próximo ao Centro de Acolhida Missionária (Cenam), para abordar o traficante. Eles obrigaram o porteiro do condomínio a avisá-los de quando Léo Bracinho passasse por eles.
Caso aconteceu próximo ao Centro de Acolhida Missionária - Gilvan de Souza / Agência O Dia
TRAFICANTE LEVAVA DINHEIRO
Investigadores contam que rotineiramente o traficante levava dinheiro do Pereirão para o Morro do Fallet. Os PMs estavam cientes de que o criminoso passaria pelo local e por isso armaram uma emboscada. Eles acreditavam que Léo Bracinho estaria sozinho.
No entanto, quando abordaram o traficante, ele estava acompanhado de dois seguranças e houve a troca de tiros. O criminoso morreu e o cabo Camacho foi baleado, sendo socorrido no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Ele foi transferido para o Hospital Central da PM, no Estácio.
O DIA soube que um taxista foi abordado por outro policial militar que passava pela região, para socorrer o agente ferido. Esse PM seria o tenente apontado como chefe do esquema, que estaria em uma viatura dando cobertura aos agentes.
O taxista e o porteiro do condomínio tentaram registrar o caso na 9ª DP (Catete), mas o oficial da PM afirmou que o caso não poderia ser registrado na unidade e que deveria ser levado para a delegacia de Santa Teresa. No meio do caminho, o PM teria liberado os dois e ainda deu R$ 40 para o taxista lavar o carro.
No entanto, a tentativa foi frustrada, pois a Delegacia de Homicídios foi acionada. O táxi já passou por perícia.
Marcas de tiros deixadas pelos disparos feitos no local - Gilvan de Souza / Agência O Dia
VERSÃO DOS PMS
Na versão que deram para a Polícia Militar, os cabos alegaram que foram atacados pelos três criminosos. A ocorrência mostra que os PMs tiveram a prisão em flagrante decretada baseada "em provas testemunhais" por que a "versão apresentada pelos policiais não condiz".
O tenente apontado como o líder do esquema prestou depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) na madrugada desta segunda-feira. Ele é aguardado nesta tarde na Corregedoria da PM e será indiciado por fraude processual. O advogado dos policiais esteve na DH nesta manhã e não falou com a imprensa, alegando que o caso está sob sigilo.
A Corregedoria quer entender o que os dois PMs de folga estavam fazendo na região e como o oficial chegou tão rápido ao local se não estivesse por perto. O dinheiro que estaria com o traficante sumiu.
"Vamos investigar as circunstâncias do que aconteceu e a possível participação de outros policiais na ação", garantiu o porta-voz da PM, o coronel Mauro Fliess.
Um táxi foi parado para socorrer o PM ferido no Souza Aguiar - Reprodução / TV Globo
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Um táxi foi parado para socorrer o PM ferido no Souza Aguiar Reprodução / TV Globo
Marcas de tiros deixadas pelos disparos feitos no local Gilvan de Souza / Agência O Dia
Marcas de tiros na região dos disparos Gilvan de Souza / Agência O Dia
Caso aconteceu próximo ao Centro de Acolhida Missionária Gilvan de Souza / Agência O Dia

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