Jovens reconhecem dois PMs como autores de agressão e abuso sexual

Vítimas foram forçadas a fazer sexo oral entre si

Por Bruna Fantti

Jovens foram obrigados a fazerem sexo oral entre eles e dizem que policiais militares e seguranças da SuperVia participaram dos abusos
Jovens foram obrigados a fazerem sexo oral entre eles e dizem que policiais militares e seguranças da SuperVia participaram dos abusos -
Rio - Os dois jovens que denunciaram que foram agredidos e vítimas de abuso sexual na estação de trem do Maracanã, no último domingo, reconheceram nesta quarta-feira dois PMs como autores da agressão. O reconhecimento foi feito por meio de um álbum de fotografias da Corregedoria da Polícia Militar. Também nesta quarta, a SuperVia identificou e demitiu dois seguranças que teriam participado do crime.
A Corregedoria da PM agora apura as informações passadas pelas vítimas, um rapaz de 17 anos e outro de 18. Se for comprovado que os policiais realmente tiveram envolvimento nas agressões e abusos, o próximo passo será identificar se eles estavam ou não de serviço. Se a dupla estava a trabalho, será configurado crime militar e o caso será investigado pelo próprio órgão de investigação da PM. Mas se no momento do crime eles estavam de folga, a investigação ficará com a Polícia Civil.
O delegado Roberto Ramos, titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), informou ontem que abriu inquérito que poderá indiciar os quatro envolvidos nas agressões aos dois jovens na estação de trem da Zona Norte. Eles poderão responder por estupro, tortura e agressão. "Não há vontade dos dois em realizar o ato. A vontade é do agente que filma. Isso configura o crime de estupro", informou.
O crime foi filmado e divulgado nas redes sociais pelos agressores. Após serem retirados de um vagão por estarem com drogas, os jovens foram obrigados a praticar sexo oral um no outro. Eles contaram que no momento da abordagem, dois homens, sem fardas, se identificaram como policiais militares e os tiraram do vagão. Em seguida, os dois foram levados para um local reservado com ajuda de seguranças da SuperVia, quando sofreram as agressões.
Em nota, a Polícia Militar informou que apura o caso e "a 3ª DPJM, que investiga o fato, já está tomando as devidas providências para solucionar o caso". Ontem, o governador Wilson Witzel garantiu que governo não compactua com crimes. "Não temos bandido de estimação, se é policial militar, se é civil, servidor público. Se praticou alguma infração penal, vai ser apurado com rigor e levado à julgamento", disse.

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