Terreiro de candomblé é invadido e destruído em Duque de Caxias

Caso foi compartilhado nas redes sociais pelo babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). Ato de vandalismo e desrespeito à religião de matriz africana foi repudiado e frequentadores do terreiro lamentaram

Por O Dia

Terreiro de candomblé invadido, em julho, na comunidade do Parque Paulista, em Duque de Caxias
Terreiro de candomblé invadido, em julho, na comunidade do Parque Paulista, em Duque de Caxias -
Rio - Um terreiro de candomblé foi invadido e destruído em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na tarde desta quinta-feira. O caso foi compartilhado nas redes sociais pelo babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).
"Pondero, mais uma vez, que a intolerância religiosa é uma questão social, política, religiosa e precisa ser debatida com toda a sociedade. A liberdade religiosa é um direito de todos e garantido constitucionalmente.
Exigimos o máximo de averiguação sobres os casos e respostas imediatas do poder público!!!", cobrou Ivanir.

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Terreiro de candomblé foi invadido e destruído em Parque Paulista, em Duque de Caxias Reprodução Facebook
Terreiro de candomblé foi invadido e destruído em Parque Paulista, em Duque de Caxias Reprodução Facebook
Terreiro de candomblé foi invadido e destruído em Parque Paulista, em Duque de Caxias Reprodução Facebook
A invasão ao terreiro, localizado no bairro Parque Paulista, foi invadido por volta de 12h. Relatos que circulam nas redes sociais apontam que os invasores seriam traficantes, que se denominavam "bandidos de Jesus". 
"Muito triste, nem mais o sagrado temos o direito de cultuar, vivemos em um mundo sem justiça, só podemos contar com a justiça dos orixás", escreveu uma mulher na postagem que mostra as imagens da destruição causada no terreiro.
O terreiro de candomblé existe há muitos anos na região e, segundo algumas pessoas, é conhecido por ser acolhedor e ajudar necessitados, inclusive distribuindo cestas básicas. "Eu cresci pegando doces lá. A dona ajudava muitas famílias doando cestas básicas. Lamentável que tenham feito isso", diz um comentário em rede social.
Uma frequentadora do terreiro fez um longo desabafo lamentando o episódio no espaço religioso de matiz africana. que ela disse frequentar há anos e onde cresceu e aprendeu a respeitar valores, além de fazer caridade. 
"Meu coração está despedaçado. Este é o meu Ilê. Onde cresci, aprendi a respeitar valores, a fazer caridade a quem precise, a não desejar o mal aos que estão na escuridão, a respeitar os mais velhos, a fazer um acaça, a rezar, a andar de pés descalços, a dormir na decisa, a comer com a mão do Orixá, a rezar o Orô, a AMAR. Sim!! Aqui dentro deste espaço sagrado foi onde eu tive as minhas primeiras lições sobre o que é AMAR. Mas o caminho de Oxalá só Ele é quem sabe... Que com os novos ventos venha também a misericórdia de Oxalá para que eu consiga entendimento. Eparrey Oya!!! Te amo minha Velha!! Me socorra neste momento de tanta dor (sic)", escreveu.
Procuradas ainda na noite desta quinta-feira, as polícias Militar e Civil ainda não informaram se foram acionadas para o caso e nem se há uma investigação em andamento. A reportagem tenta localizar os responsáveis pelo terreiro. 
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