Rio de Janeiro - 27/08/2019 - Projeto Circo Escola, criado em 1991por Helbert de Souza, o Betinho, que atende mais de 200 crianca por ano, pode fechar. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia - Luciano Belford/Agência O Dia
Rio de Janeiro - 27/08/2019 - Projeto Circo Escola, criado em 1991por Helbert de Souza, o Betinho, que atende mais de 200 crianca por ano, pode fechar. Foto: Luciano Belford/Agencia O DiaLuciano Belford/Agência O Dia
Por Maria Luisa de Melo
Rio - Uma grande lona circense, no bairro de Venda Velha, na periferia de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, chama a atenção de quem passa pelas redondezas. O local, onde antes havia apenas um terreno repleto de mato e lixo, transformou-se, há cinco anos, no reduto de milhares de amantes da arte circense.
Por semestre, cerca de 350 alunos são atendidos ali. No entanto, o Circo Escola Benjamin de Oliveira pode acabar, caso a prefeitura da cidade venda a área usada pelo grupo, como já anunciou e aprovou junto à Câmara de Vereadores.
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O projeto é mantido pelo Centro de Desenvolvimento Criativo ‘Se essa rua fosse minha’, uma associação sem fins lucrativos criada em 1991 por Herbert de Souza, o Betinho. É ali que, duas vezes por semana, a estudante Eduarda Ramos, de 17 anos, recebe, gratuitamente, aulas para se profissionalizar na área, com uma bolsa-auxílio de R$ 300 mensais.
“Não imagino como seria a minha realidade se não tivéssemos essas aulas. É uma grande oportunidade para todos nós. Com tanta criminalidade, se não estivéssemos aqui, onde nós estaríamos?”, questiona a aluna.
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O entorno da lona tem pelo menos oito comunidades, apontadas pela coordenadora pedagógica Erika Glória, que cobra apoio da prefeitura. “A gente está aqui disputando essas crianças e jovens com o poder paralelo. O ganho social é todo para a cidade de São João de Meriti. Por isso, a prefeitura devia colaborar. Foi uma surpresa quando soubemos que a venda do terreno foi aprovada na Câmara. Com uma área tão grande, será que não podem nos ceder nem um pedaço?”, criticou ela.
O aluno Gabriel de Oliveira, de 20 anos, faz um apelo: “A prefeitura não investe nesse projeto. Se pudesse não tirar o pouco que a gente tem já seria de ótimo tamanho, seria uma grande ajuda. Estamos falando do último espaço de cultura social da Baixada”, diz ele, que também é músico.
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Outros alunos relembram, ainda, que foi dali que saíram dois jovens que representaram o Brasil no concorrido Festival Internacional de Circo, em Siena, na Itália, e outros dois atuam em circos profissionais brasileiros.
Procurado, o prefeito Dr. João Ferreira Neto (PHS) informou que este e um outro terreno serão vendidos. Mas se comprometeu a encontrar novo “lugar adequado para a continuação das atividades”.