Deputados pedem que obra do metrô seja paga com dinheiro recuperado da Lava Jato

Witzel se encontrou com políticos e especialistas nesta segunda-feira no Palácio Guanabara

Por Anderson Justino

Witzel anunciou na quinta que o buraco da estação Gávea vai ser aterrado
Witzel anunciou na quinta que o buraco da estação Gávea vai ser aterrado -
Rio - O governador Wilson Witzel já cogita a possibilidade de voltar atrás na decisão de aterrar as obras da estação do metrô Gávea, na Zona Sul do Rio. Witzel irá decidir em até 30 dias qual será o futuro do "buraco da vergonha", apelido dado por ele ao espaço. O chefe do executivo se reuniu nesta segunda-feira no Palácio Guanabara com deputados estaduais Frente Parlamentar em defesa da construção da Linha 4 do metrô, com o presidente da Associação de moradores e amigos da Gávea (Amagávea), Rene Hasenclever, e representantes da PUC-Rio.

Liderados pelo deputado Carlo Caiado (DEM) os parlamentares reforçaram o desejo de usar recursos da Lava Jato para acabar com o imbróglio. Na semana passada, Witzel havia cogitado essa possibilidade.

“A gente não vai ficar parado. Na próxima sexta-feira especialistas da PUC-Rio vão entregar um relatório com possíveis riscos e isso será avaliado pelo governador. Ele quer dar continuidade à essa obra, mas deixou claro que o governo não tem recurso para isso”, explicou Caiado.

Hasenclever colocou como positivo o encontro com o chefe do executivo. "Eu estava desanimado, mas depois dessa reunião as coisas mudaram. O encontro foi produtivo e temos a certeza de que as coisas podem acontecer. Vamos aguardar o prazo que foi dado para que as coisas possam ocorrer corretamente".
O presidente da Amagávea entregou ao governador um abaixo assinado com cerca de onze mil assinaturas de moradores da Gávea e bairros vizinhos que pedem a retomada das obras.
Para o secretário estadual de Transportes, Delmo Pinho, existem ‘inúmeras soluções’ que podem ser usadas para resolver o problema e que o governo vai buscar a melhor. “Precisamos levar em conta o menor risco à vida das pessoas. A gente entende a importância da conclusão dessas obras, mas é preciso pedir a todos tranquilidade para a decisão”.

As obras da Estação Gávea, que custaram R$ 934 milhões aos cofres públicos do Estado, estão paradas desde 2015. Em janeiro do ano passado, por recomendação do consórcio, o local precisou ser inundado para afastar a eventualidade de riscos nas estruturas de prédios vizinhos.

Na semana passada o governador Wilson Witzel disse que aterraria o buraco por ele ainda oferecer riscos de acidente. O pronunciamento de governador causou revolta em moradores da Gávea e bairros vizinhos.

Apesar de não ter acesso ao projeto da obra o especialista em engenharia de transporte e professor da UFRJ Marcelino Coppe explica que: “é impossível descartar a possibilidade de uma perícia detalhada no local para que as obras sejam retomadas ou não. Fazendo algo ou não, alguém precisa assumir essa responsabilidade. É uma obra de volume e recurso muito alto”.
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