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Witzel lamenta morte de Ágatha, mas manterá política de segurança

Governador diz que 'não é um desalmado', mas avisa que combate ao crime organizado vai continuar

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Durante coletiva no Palácio Guanabara, Wilson Witzel disse que sente muito pela dor dos pais de Ágatha: 'Sou uma pessoa de sentimento'
Durante coletiva no Palácio Guanabara, Wilson Witzel disse que sente muito pela dor dos pais de Ágatha: 'Sou uma pessoa de sentimento' -

O governador Wilson Witzel (PSC) lamentou, ontem, a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, e manteve seu discurso defendendo a política de segurança do estado. Em entrevista coletiva, o ex-juiz federal lembrou que também é pai de uma menina de 9 anos e culpou o crime organizado e os usuários de drogas pela morte da criança, baleada por tiro de fuzil nas costas dentro de uma Kombi, no Complexo do Alemão. A família atribui o disparo à Polícia Militar. Witzel e o secretário da PM, Rogério Figueredo, classificaram o crime como "fato isolado".

"Eu estou satisfeito com o resultado que vem sendo apresentado e não há nenhum motivo para que um fato isolado como esse sirva para modificar todo o trabalho que está sendo realizado", afirmou o governador. "Se não estivessem acontecendo (os confrontos), não estaríamos com os índices que estamos hoje. A sensação de segurança e os resultados são nítidos nas ruas", acrescentou Witzel.

O governador se referiu a índices como o de homicídio doloso — que registrou queda de 21,5% nos oito primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado —; além de roubos de carga (queda de 18,1%) e de veículos (queda de 22%). Por outro lado, o número de mortes por intervenção policial aumentou 16,2%.

"Olhando a minha filha, você acha que não choro, pensando na dor de qualquer pai, qualquer mãe que perca (o seu filho)? Eu sou pai, eu tenho meus filhos em casa, eu olho para eles deitados na cama e penso: 'Amanhã, aquela mãe não vai ter o filho deitado na cama, para poder olhar, para poder acariciar, passar a mão no cabelo'. Você acha que que não penso nisso? Não sou um desalmado. Eu sou uma pessoa de sentimento", comentou.

Questionado sobre o motivo de supostamente manter discurso brando em crimes em que policiais são investigados, o governador refutou: "Não tenho bandido de estimação, seja de distintivo, seja de farda. A lei é para todos". E deu recado aos usuários de drogas: "Aqueles que usam a maconha, a cocaína de uso recreativo... façam uma reflexão, porque você é diretamente responsável pela morte da menina Ágatha. Você tirou a vida dessa menina. Você que usa maconha, você que cheira cocaína e que dá dinheiro para alimentar esses genocidas (traficantes), que são aqueles que hoje estão fazendo de escudo humano as comunidades".

O secretário da PM reafirmou que não havia operação policial quando Ágatha foi atingida e que PMs faziam policiamento de rotina. "O evento que ocorreu na Fazendinha foi isolado. A Polícia Militar determinou um inquérito policial militar para apurar os fatos", ressaltou Figueredo. Ele também comentou que a conduta do PM Gabriel Monteiro, flagrado em vídeo agredindo um morador no funeral de Ágatha, será apurada.

"A gente não pode ligar a morte da menina Ágatha à política de segurança do estado. A política de segurança requer duas polícias independentes, fortes", destacou o delegado Marcus Vinícius Braga, secretário da Polícia Civil. "Casos como esse têm que ser investigados, mas não (podemos) transformar nossos policiais em monstros", emendou Braga.

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