Bombeiros mortos em incêndio na Quatro por Quatro são enterrados sob comoção

Durante o enterro dos militares, familiares e amigos fizeram um cortejo em homenagem às vítimas

Por Aline Cavalcante e Juliana Pimenta

No Jardim da Saudade, dor e homenagens a Klerton Araujo
No Jardim da Saudade, dor e homenagens a Klerton Araujo -
Rio - Os três bombeiros que morreram durante combate a um incêndio nesta sexta-feira na whiskeria Quatro por Quatro, na Rua Buenos Aires, no Centro da cidade, foram enterrados neste sábado. O sepultamento dos militares foi marcado por forte comoção de familiares, amigos e colegas de farda. 
O cabo José Pereira Neto foi enterrado no Jardim da Saudade de Sulacap, na Zona Oeste do Rio. O velório começou às 13h30, na capela 7 e o sepultamento às 16h45. Também no Jardim da Saudade, foi realizado o enterro do cabo Klerton Araújo, na capela 2. O velório aconteceu às 11h45 e o sepultamento às 16h15. Já o corpo do sargento Geraldo Ribeiro será enterrado às 16h, no mausoléu da corporação, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. 
Durante o enterro dos militares do Corpo de Bombeiros, houve um cortejo em homenagem às vítimas. O vice-governador do Rio, Cláudio Castro, esteve no Cemitério São Francisco Xavier e falou sobre como o governo está tratando a tragédia.
"Realmente é uma tragédia, a gente tem a total condição e a consciência que hoje o Corpo de Bombeiros tem os melhores equipamentos do mundo. Tudo que há de mais moderno o Corpo de Bombeiros utiliza. Então realmente já foi aberta a sindicância pelo comandante geral para que a gente entenda qual foi a situação que essa tragédia se deu".
Cláudio disse ainda que a Secretaria de Vitimados está deste sexta-feira em contato com as famílias das vítimas para dar todo o suporte necessário. 
"O protocolo do bombeiro é um protocolo impecável, é por isso que realmente tem que passar por uma grande investigação para entender o porquê dessa tragédia. Quando é um (morto), esse um um ter errado o protocolo. Mas quatro, cinco errarem o protocolo não é comum. É uma coisa que tem que ser mesmo investigada. E, se for falar de falha em equipamento, também é difícil cinco equipamentos terem falhado", destacou Castro, que lembrou o incêndio no Hospital Badim para justificar que os equipamentos usados pela corporação são de boa qualidade.

Galeria de Fotos

Familiares e amigos dão adeus a militares do Corpo de Bombeiros Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
No Jardim da Saudade, dor e homenagens a Klerton Araujo Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Sepultamento de Klerton Araujo, um dos bombeiros mortos nesta sexta-feira em whiskeria Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Coroa enviada pelo Corpo de Bombeiros para homenagear vítimas de incêndio Estefan Radovicz / Agên
Familiares e amigos se despedem do Segundo Sargento José Pereira de Sá Neto Estefan Radovicz / Agência O Dia
Tristeza e comoção em enterro de bombeiros neste sábado Estefan Radovicz
Cortejo no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju Juliana Pimenta / Agência O Dia
Investigações
Mantendo o mesmo discurso do vice-governador e sem fazer ideia do que aconteceu, o coronel Roberto Robadey, comandante geral do Corpo de Bombeiros, disse que as investigações vão mostrar se os oficiais estavam usando a máscara durante o incêndio.
"Todos estavam com a máscara, mas vamos apurar se eles estavam com ela colocada no rosto. Pelo fato de terem as vias aéreas queimadas, provavelmente, para chegar nesse ponto, eles estavam sem o equipamento em algum momento. Isso será objeto da apuração mais para frente", destacou o comandante, que também fez questão de falar da estranheza do caso.
"O quartel está todo consternado. Eram bombeiros experientes, com mais de dez anos de serviço. Estávamos lá com o que há de melhor para esse tipo de serviço. Acreditávamos que as condições eram ideais para que nada acontecesse, mas aconteceu. Muito estranho três bombeiros morrerem nessas condições. Por isso, vamos apurar com rigor para tentar entender o que houve e não se repetir", lamentou.
'O que restá é seguir em frente', diz tio
Amigos de infância, os cabos Klerton de Araújo e José Pereira Neto, ambos de 35 anos de idade, estiveram juntos durante toda a vida até à trágica morte. Os dois cresceram na mesma rua e dividiam, ainda criança, brincadeiras e estudos. Já adultos, prestaram o mesmo concurso e foram aprovados. Acabaram servindo juntos no Quartel Central e foram sepultados na mesma cova.

"São amigos que deixarão saudade. Eram pessoas de bem. Só tivemos alegria juntos. Eles eram amigos, irmãos, pessoas alegres, de caráter. Morreram juntos exercendo a profissão que amavam. Está difícil digerir está perda", disse o amigo dos cabos, Fernando José, 38.
Fernanda Freire Soares, esposa de José, fez uma declaração de amor para o marido. "Deus me deu o José de presente. Um homem maravilhoso. Saímos para trabalhar juntos ontem e não nos vimos mais. Já estou morrendo de saudade. A vida é um sopro, gente. Amem mais, abracem mais, não tenham vergonha de dizer eu te amo. Vai com Deus, meu amor. Prometo cuidar muito bem da nossa filha".

A notícia da morte dos bombeiros pegou os familiares de surpresa. Profissionais experientes e sem nunca terem feito queixa da corporação, a família não imagina o que pode ter acontecido. "Fomos surpreendidos porque, assim como o José, todos as vítimas tinha mais de dez anos de carreira. Até onde sabemos os equipamentos eram novos e ele (o José) nunca tinha reclamado de nada, pelo contrário, só falava coisas positivas. Vamos querer saber o que houve agora, vamos acompanhar as investigações ", disse Eduardo Araújo Ozório, 55, primo de José.

Para Roberto da Luz, 66, tio do cabo José Neto, o que resta para a família é seguir em frente. Em dezembro, a filha do militar completará um ano e a família pretende comemorar a data." Vamos tentar seguir e comemorar o um ano de vida da filha dele porque tenho certeza que era isso que ele ia querer. José é sinônimo de dignidade, caráter, bom filho e bom pai". Klerton deixou uma filha de 5 anos.
Inspiração no pai

É muito provável que a inspiração para o cabo José Pereira Neto se tornar um bombeiro tenha vindo do pai, Rogério Braga Ozório, tenente reformado do Corpo de Bombeiros. "Aos 16 anos ele já mostrava um instinto protetor, ele sempre teve isso. Era um bombeiro nato, que exercia a profissão por amor", afirma o primo, Eduardo de Araújo Ozório, 55.

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