Óleo encontrado em São Francisco de Itabapoana é compatível com o do Nordeste

Marinha confirmou, nesta terça-feira, a origem dos resíduos recolhidos na Praia de Santa Clara, no município do Norte Fluminense. Até então, São João da Barra era a única localidade contaminada no Estado do Rio

Por GUSTAVO RIBEIRO

Resíduo localizado em São Francisco de Itabapoana
Resíduo localizado em São Francisco de Itabapoana -
Rio - A Marinha do Brasil confirmou, nesta terça-feira, que os resíduos recolhidos na Praia de Santa Clara, no município de São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, são compatíveis com o óleo encontrado no litoral nordestino e no Espírito Santo. De acordo com o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), cerca de 20 gramas do material foram encontrados na Praia de Santa Clara no domingo, 24 de novembro. Com isso, duas localidades do Estado do Rio estão na lista de áreas atingidas pelo óleo que vem se espalhando pelo litoral brasileiro desde agosto: São Francisco de Itabapoana e São João da Barra.

O material foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM). Fragmentos semelhantes foram captados, no último domingo, na Praia de Guriri, também em São Francisco de Itabapoana, na Praia do Barreto, em Macaé, e no Canal das Flechas, em Quissamã, todas localizadas no Norte Fluminense. No entanto, a origem do produto encontrado nessas localidades não foi informada. Na sexta-feira passada, resíduos haviam sido encontrados na Praia de Grussaí, em São João da Barra, no Norte Fluminense, e ficou confirmado que teve origem no Nordeste.

Segundo a Marinha, um grupo de militares da própria Marinha e agentes do Ibama estão fazendo monitoramento no local. Ainda de acordo com a instituição, não foram encontrados novos vestígios de óleo no Estado do Rio de Janeiro. O GAA é formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pelo Ibama. Caso a população encontre novas manchas de óleo, deve avisar às autoridades através do telefone 185. Devido ao risco de contaminação, o material não deve ser tocado.

O DIA questionou à Marinha se já foi descartada a hipótese de os resíduos retirados das demais localidades também serem provenientes do Nordeste, e aguarda resposta.

Conforme reportagem publicada pelo DIA nesta terça-feira, o oceanógrafo David Zee, da Uerj, alertou para o risco de o óleo atingir a Região dos Lagos nas próximas semanas. De acordo com o especialista, os municípios de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios são os mais propensos a serem contaminados. Já a capital do Rio e outras localidades do estado, como a Baía de Ilha Grande, não correriam o mesmo risco, já que as correntes marinhas não seriam favoráveis ao deslocamento em suas direções.
"O litoral brasileiro faz o sentido Norte-Sul até Cabo Frio, Arraial e Búzios. Depois, muda para Leste-Oeste. Então, até nesses três municípios existe a possibilidade de chegar. Isso está acontecendo na porta do verão e pode prejudicar a pesca e o turismo. Além do mais há substâncias cancerígenas no petróleo. Mas as correntes não ajudam a empurrar o óleo para Saquarema, Araruama, Rio, Baía de Ilha Grande e Sepetiba", avisa Zee.
Registros em 772 localidades
De acordo com a Marinha e o Ibama, 772 localidades em 11 Estados foram atingidas pelo óleo. Estão com as praias limpas os Estados do Rio, Espírito Santo, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe. Permanecem com vestígios de óleo: Araioses, no Maranhão; Barreiros, em Pernambuco; Japaratinga, Barra de São Miguel, Feliz Deserto, Maragogi e Roteiro, em Alagoas; e Cairu, na Bahia. A 2ª Promotoria de Justiça de São João da Barra instaurou, na quinta-feira, procedimento administrativo para acompanhar o avanço da mancha. O governo federal não concluiu as investigações sobre a origem do óleo.

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