Operação mira envolvidos em extorsão de comerciantes do camelódromo da Uruguaiana

Além de gerenciar o aluguel e a venda de boxes no mercado popular do Centro do Rio, suspeitos cobravam taxas semanais em troca de segurança, limpeza e para suposta divisão da conta de luz

Por O Dia

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em oito endereços, inclusive no mercado do Centro
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em oito endereços, inclusive no mercado do Centro -
Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ) fazem, desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira, a Operação Camelus contra suspeitos de praticarem extorsões de comerciantes do camelódromo da Uruguaiana, no Centro do Rio. São diversos mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos em endereços de oito acusados em várias cidades, dentre elas municípios da Baixada Fluminense
Até o momento, foram apreendidos quatro pistolas e documentos relacionados à contabilidade e recibos de pagamentos, que estão sob análise. Ninguém foi preso.
Os agentes também estiveram na Uruguaiana, onde fizeram buscas em um box que tem nome de loja de celular, mas tinha mais sapatos. Eles, no entanto, deixaram o local sem levar nada.
"Foram realizadas, ainda, oitivas de investigados na especializada, sendo coletadas importantes informações para as investigações, que seguem em andamento na unidade, e visam apurar o envolvimento da gestão atual e passada no mercado popular da Uruguaiana", conta o delegado Gabriel Ferrando, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), responsável pela ação.
Tanto o ex-presidente do Centro Comercial Uruguaiana, José Lopes do Nascimento, como o atual, Antenor Pereira de Jesus Filho, são alvo das investigações. O MPRJ diz que agentes públicos também estão envolvidos no esquema.
A entidade pediu à Justiça o afastamento dos integrantes da organização criminosa da associação dos comerciantes do camelódromo e de servidores envolvidos de qualquer fiscalização feita pela Secretaria Municipal de Ordem Pública e à Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização.
INVESTIGAÇÕES
De acordo com o inquérito policial, de abril de 2015 a maio de 2018, além das extorsões, os envolvidos no crime também adquiriram boxes do mercado popular de forma irregular.
Os acusados gerenciam o aluguel e a venda irregular dos espaços e ainda cobravam taxas semanais dos comerciantes em troca de segurança, limpeza e para uma suposta divisão da conta de luz. Quem não pagasse, poderia ser expulso do local, com a perda do ponto de venda.
"O grupo utilizava o esquema criminoso para, através da Associação de Comerciantes do local, usurpar funções públicas que deveriam ser desempenhadas pelo estado e pelo município do Rio de Janeiro, utilizando-se ainda de agentes públicos, responsáveis por inibir a efetiva fiscalização e garantir a omissão estatal, viabilizando assim a construção irregular em espaço público, alteração fraudulenta de titularidade de boxes no cadastro de permissionários junto à Prefeitura, bem como o fomento às demais práticas criminosas", diz um trecho da denúncia do Ministério Público.

Galeria de Fotos

Um box foi vistoriado Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Policiais vistoriam box no centro de comércio popular Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Um box foi vistoriado Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Agentes também estiveram no próprio camelódromo Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
Os acusados da investigação vão responder pelos crimes de extorsão, venda e cessão irregular de espaço público permissionário, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dentre outros.
"Além de inúmeras outras irregularidades que colocam em risco a vida de comerciantes e frequentadores do local", alega o MPRJ.
PRESO EM 2018
O ex-presidente do Centro Comercial Uruguaiana José Lopes do Nascimento já havia sido alvo de outra operação da Draco. Na ocasião, maio do ano passado, ele, então presidente do grupo, chegou a ser preso pelos mesmos crimes da atual investigação.
Na época, a Draco ainda verificou denúncias sobre a existência de uma milícia instalada no local.
O DIA tenta contato com os citados na reportagem.
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