Presidente do TJ diz que ao menos 22 juízes são ameaçados pela milícia e precisam de escolta

Polícia Civil e Ministério Público fizeram uma megaoperação com alvo em 45 envolvidos em grupo paramilitar de Rio das Pedras

Por Thuany Dossares

O presidente do TJ Claudio de Mello Tavares
O presidente do TJ Claudio de Mello Tavares -
Rio - O presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), o desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou nesta quinta-feira que ao menos 22 juízes da Corte estão sendo ameaçados por milicianos e necessitam de escolta. De acordo com o presidente, o grupo paramilitar —que age em Rio das Pedras, Muzema e região, na Zona Oeste do Rio — alvo da operação Os Intocáveis II também foi um dos que tentou intimidar os magistrados. 
Em setembro do ano passado, o TJ criou a 1ª Vara Criminal Especializada para receber apenas processos sobre organizações criminosas e lavagem de dinheiro. Um dos objetivos da Corte, além de concentrar os processos sobre o crime organizado, é proteger a integridade dos juízes.
"Todos os magistrados que atuam na área de milícia precisam de escolta. Para dar celeridade e a integridade física desses magistrados que estavam sendo ameaçados de morte nós criamos a 1ª Vara", disse Claudio de Mello. "Os juízes que trabalham em Jacarepaguá, em Rio das Pedras e e outras áreas já trabalham com mais tranquilidade.Ninguém teme ameaça", completou. 

A vara conta com três juízes criminais, que podem, inclusive, assinar conjuntamente as sentenças. Durante a coletiva, o presidente do TJ explicou que a Operação Intocáveis II é o primeiro grande caso da 1ª Vara Especializada e que, se houver necessidade, poderão ser criadas outras varas como essa.
"Hoje demos um golpe forte no crime organizado, decretando a prisão preventiva de 44 milicianos", destacou o presidente do TJ. 
Além de decretar a prisão de 44 dos 45 acusados, a Vara Especializada suspendeu as atividades funcionais dos policiais presos, com a consequente perda do porte de armas, inclusive dos aposentados, e de todas as prerrogativas do cargo.

"Essa operação se iniciou com um trabalho de Inteligência da Polícia Civil e do Ministério Público, e teve uma resposta rápida do Poder Judiciário, que prontamente expediu os mandados de prisão e de busca e apreensão. Estamos dando uma resposta rápida à sociedade, que não pode mais conviver com esse tipo de crime", comentou o desembargador.
A Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ) fizeram, desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, uma megaoperação contra a milícia que age em Rio das Pedras, Muzema e região, na Zona Oeste do Rio. Na operação Os Intocáveis II, como foi batizada, os agentes foram cumprir 45 mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital.
Dentre os procurados, estiveram policiais civis da 16ª DP (Barra da Tijuca) e PMs do 18º e 31º BPM (Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, respectivamente). O servidor público Joailton de Oliveira Guimarães, da Fundação Parques e Jardins (FPJ), também é um dos alvos.
Até o momento, há pelo menos 33 presos, alguns em outros estados. Dentre eles, estão o chefe de Investigação da delegacia da Barra, o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves; e o sargento da PM Francisco Valentim de Souza Júnior, que é lotado no batalhão do Recreio.
DIVERSOS CRIMES

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa age na região desde 5 de junho de 2014 e é liderada por Dalmir Pereira Barbosa, Paulo Eduardo da Silva Azevedo e Epaminondas Queiroz de Medeiros Júnior, conhecido como Capitão Queiroz. O grupo é
investigado pelos seguintes crimes:

. Grilagem
. Construção, venda e locação ilegais de imóveis
. Posse e porte ilegal de arma de fogo
. Extorsão de moradores e comerciantes com a cobrança de taxas mediante "serviços" prestados
. Ocultação de bens adquiridos com participação de "laranjas"
. Pagamento de propina a agentes públicos
. Agiotagem
. Utilização de ligações clandestinas de água e energia nos empreendimentos imobiliários ilegalmente construídos

Ainda segundo o MPRJ, a quadrilha usa arma de fogo para manter o controle sobre a região, além de contar com a participação de agentes públicos, ativos e inativos, especialmente policiais militares e civis. Com os servidores, os milicianos conseguem informações privilegiadas para manter as atividades ilegais e, assim, aumentarem sua área de atuação, "arvorando-se assim em poder paralelo ao Estado".

O grupo investigado age através de diferentes núcleos de atuação, dentre eles, a liderança e seus auxiliares diretos, como policial, segurança, financeiro, "laranjas" e imobiliário.
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